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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Não sou contra a vaidade





Muitos leitores, assim como Amanda, devem acreditar que sou contra a vaidade. Devem crer que eu considere futilidade se arrumar, se maquiar, ir ao shopping, etc. Alguns devem até deduzir que eu acredite que as mulheres devam ser feias para serem revolucionárias. Essa interpretação equivocada de meu pensamento me preocupa muito, pois passa longe da veracidade.

Eu não sou contra a vaidade. Não a vaidade propriamente dita. Eu mesma sempre faço escova no cabelo, por exemplo. Adoro cabelo ondulado e cacheado, mas o meu, naturalmente, é daquele estilo ondulado indefinido, que parece descabelado não importa quantas mil vezes penteei. Soma-se a isso o fato de que tenho 3 vezes a quantidade de cabelo que uma pessoa normal tem (é sério).

Adoro comprar roupa nova (mas confesso que ultimamente só compro em promoção) e já fiz várias sessões de depilação a laser. Adoro pintar as unhas, principalmente de cores fortes como vermelho, vinho e marrom. Amo brincos, principalmente os enormes, e não cogito ficar sem eles.

Maquiagem admito que não uso no dia-a-dia pelo simples fato de não achar necessário. Uso apenas em ocasiões especiais, mas mesmo assim de um modo muito leve. Digamos que batom não combina muito comigo, eu simplesmente fico parecendo um periquito comendo uma cereja. Bizarro mesmo.

Mas não acho que quem se maquia é fútil. Um delineador de olhos e um brilho labial não fazem mal à ninguém; pelo contrário. O que eu acho fútil é aquela necessidade de estar sempre com aquela maquiagem extremamente carregada, estilo Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo, para todas as situações, inclusive as mais insignificantes. O que eu acho fútil é aquela obsessão por estar sempre impecavelmente arrumada 24 horas por dia. Além de futilidade, isto denuncia um problema maior: o machismo invisível, segundo o qual as mulheres devem sempre ser julgadas por suas características físicas.


A vaidade não é um problema...até que se torne uma questão de gênero.

Isso não tem a mínima graça.

 
Não é novidade para ninguém que, enquanto as mulheres estão neuroticamente preocupadas com sua aparência, os homens só tomam banho, passam desodorante e vestem aquela camisetinha branca básica. Isso pouco importa para a vida social ou profissional deles. Eles simplesmente não precisam ser aprovados pela aparência para conquistarem respeito ou o que quer que seja. Tem algo injusto aí, não?

Outra questão relevante é que a esmagadora maioria da população mundial não esbanja quantias inesgotáveis de dinheiro. Muito menos as mulheres, que ainda ganham menos que os homens. Sendo assim, você não consegue comprar tudo o que deseja e ainda pagar todas as contas do mês; é preciso estabelecer prioridades.

E o que isso significa? Bem, é fácil: se a prioridade de muitas mulheres é freqüentar o salão de beleza todo mês, fazer drenagem linfática habitualmente, pagar a “lipinho básica” no fim do ano e comprar bolsas que custam mais que um salário mínimo, quem acaba pagando a escola das crianças, a conta de luz, o IPVA, a comida para pôr na mesa? Exatamente, o homem. E, se desejamos igualdade, ela começa pelos deveres iguais, inclusive os financeiros.

Acho que sei pra quem vão sobrar essas contas...


Quando a vaidade deixa de ser saudável.

Cansei de ver meninas e mulheres chegando à faculdade à noite, após um longo dia de trabalho e minutos antes de começar a aula, obstinadas a retocar a maquiagem (com instrumentos tão diversos que alguns deles sequer sei o nome). Ora, pra quê? É só uma aula, você está aqui para estudar! Algumas estão tão maquiadas logo cedo (e para os compromissos mais desnecessários) que só podem ter acordado 5 horas da manhã para isso. Algumas são tão neuroticamente retocadas com pó que dão até vontade de espirrar.

Sempre vejo mulheres que mal conseguem andar devido ao salto altíssimo. No fim do dia, estão fisicamente esgotadas e seus pés moídos não lhes permitem fazer mais nada. Não é à toa que são presa fácil de assaltantes: elas não vão conseguir fugir!

Sapato com salto é mais bonito? Pode até ser, mas o primordial não deveria ser o conforto? Vejam, não precisamos viver de “rasteirinha” para estarmos confortáveis. É possível sim usar sapatos com saltos, mas daquele tipo que ainda te permite realizar funções básicas como andar e sair para almoçar.

Todo dia vejo mulheres se privando de certos alimentos, reclamando que “esse engorda”, “isso dá barriga”. Não se entregam a uma pizza deliciosa ou a um cachorro-quente suculento. Se o fazem, é com culpa. Elas contam calorias até de um copo de suco.
 



Ora, isso não é vaidade. Isso é escravidão à estética; é incorporar o conceito de que mulher só tem valor se for para enfeitar o ambiente sexualmente; é reforçar o conceito de que nosso único poder é pela beleza; é fortalecer o valor de que precisamos ser julgadas pela aparência, antes de tudo.

Beleza e revolucionarismo não são antônimos.

Isso não significa que devemos ser feias para sermos revolucionárias. O que tento mudar é justamente o conceito de mulher feia: arrumo meu cabelo, uso roupas novas, pinto as unhas, combino as cores do sapato, mas não preciso passar batom, pó, delineador, blush, pôr cílios postiços, gastar minhas economias em cirurgias plásticas e usar diariamente salto de 10 cm para poder ir até a esquina.


Hoje em dia, muitas mulheres não sabem a diferença entre ser vaidosa e ser fútil. Creem que só existem dois extremos: ser vaidosa e fútil ou não-vaidosa e “baranga”. O que se tem em mente é que, para ser bonita, é necessário cair na futilidade, o que é um grande equívoco. É muito possível que os dois conceitos não caminhem juntos, o que significa que podemos ser vaidosas sem sermos fúteis e, melhor ainda, podermos ser bonitas e ainda sermos revolucionárias.

Se arrumar e se maquiar é legal? É. O que não é legal é tratar isso como se fosse o maior valor de uma mulher, o primordial em nossa existência, um passaporte necessário para ser respeitada, um pré-requisito para poder aceitar a si mesma. O espelho não pode se tornar a nova submissão da mulher.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Resposta para Amanda

 
Recebi um comentário da Amanda no texto “Faltam homens ou mulheres legais?”. Sua crítica foi extensa e contundente, e por isso merece atenção especial. Entretanto, minha prolixidade não me permite responder em uma mera caixinha de comentários. Como ela levanta dois questionamentos que acredito serem comuns a outros leitores (resumidamente, que eu não passo de uma “revoltadinha” e que eu não deveria ser psicóloga por ser tão intransigente e incisiva em minhas críticas), resolvi dedicar um post para respondê-la, pois pode servir a outras pessoas.

O comentário foi o seguinte:

"Bruna,
É impressionante como suas opiniões são parecidas com as opiniões que ostentava quando tinha meus 15,16 anos!
Eu era uma menina extremamente do contra. Enquanto minhas amigas ouviam pagode, eu escutava Pink Floyd, enquanto elas usavam vestidinho e salto alto, eu usava all-star e cintos de rebiche. Era comum fazer longas reflexões sobre a vida, sobre capitalismo, sobre futilidade, sobre querer ir morar em uma daquelas reservas (?) anti-capitalistas onde os alimentos são plantados e cultivados. Eu cresci revoltada, anti-social, apedrejava carros que passavam com “músicas” altas e não me aproximava, de maneira alguma, de pessoas que considerava produtos do sistema capitalista/consumista.
E olha que ainda levantava a bandeira do “Não ao preconceito”.
É verdade que por trás de toda essa revolta havia muitos ressentimentos, muitos traumas, muitas coisas não resolvidas dentro de mim. No entanto, isso não me dava o direito de ter agido com tamanha hostilidade com pessoas que sequer conhecia! Eu não me deixei viver tanta coisa!...
Hoje, com 23 anos, estou planejando minha cirurgia para a prótese do silicone. Calma, não puxe os cabelos. Não me tornei uma mulher-fútil-interesseira-robotica-plástica-sem opinião. Apenas amadureci. Não que o amadurecimento esteja ligado ao uso do silicone, por Deus. Tenho minhas razões para fazer a cirurgia e elas não envolvem somente à questão da estética.
Tudo o que consegui foi devido ao meu próprio esforço. Formei-me na faculdade com meu próprio dinheiro, enfrentei dificuldades, venci batalhas, superei doenças. Hoje sou uma mulher independente, com a mente aberta, tentando me livrar de estigmas e definitivamente muito mais feliz!
Eu vejo em seus textos muito preconceito camuflado em pseudo- revolucionarismo, perdoe-me a sinceridade. Onde raios você se baseou para afirmar que mulheres que gostam de se arrumar e, conseqüentemente, se maquiar, são fúteis??! Devemos todas sair pelas ruas iguais umas mocorongas, com o cabelo desgrenhado e olheiras assustadoras só porque é “revolucionário”???. Amiga, entenda o que eu demorei muito a atender: A SUA VERDADE NÃO É ABSOLUTA. O certo e o errado, se não os levarmos ao extremo, são sim relativos! Espanta-me saber que você é psicóloga.
Como você trataria uma paciente que chegasse ao seu consultório com peitos de silicone, cabelo “acinzentado” de luzes e maquiagem à la patati-patatá? Você falaria “Vá de retro satanás” ou tentaria entender os motivos que levaram essa pessoa a ser/se comportar daquela maneira? E por que não pode ter essa mesma postura no seu dia-a-dia?
Anyway, falei de mais.Platão com certeza mandou bem na frase que intitula seu blog e acredito piamente que questionar as próprias atitudes também estão inclusas na significação da frase.

Tenha uma boa vida!"

Meus comentários seguem abaixo.


1)    Mulher que se arruma e se maquia é fútil.

Eu peço que me mostre quando e onde eu disse que mulher que se arruma e se maquia é fútil. Quando e onde, aliás, eu disse ou dei a entender que devemos ser “mocorongas” para sermos revolucionárias?

Eu não sou contra a vaidade propriamente dita. Eu mesma sempre faço escova no cabelo, adoro comprar uma roupa nova (pois é) e já fiz algumas (várias) sessões de depilação a laser. Maquiagem admito que não uso no dia-a-dia pelo simples fato de não achar necessário (exceto em ocasiões especiais).

Mas não acho que quem se maquia é fútil. Um delineador de olhos e um batom não fazem mal à ninguém, pelo contrário. O que eu acho fútil, e é o que critico, é aquela necessidade de estar sempre com aquela maquiagem extremamente carregada, estilo Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo, para todas as situações, inclusive as mais insignificantes.

Cansei de ver meninas e jovens moças chegando à faculdade à noite, após um longo dia de trabalho e minutos antes de começar a aula, obstinadas a retocar a maquiagem (com instrumentos tão diversos que alguns deles sequer sei o nome). Ora, pra quê? É só uma aula, você está aqui para estudar! Algumas estão tão maquiadas logo cedo (e para os compromissos mais corriqueiros) que só podem ter acordado 5 horas da manhã para isso.

 Ora, isso é escravidão à estética, é incorporar o conceito de que mulher só tem valor se for atrativa sexualmente; que tem que enfeitar o ambiente sexualmente a todo instante de sua vida; é reforçar o conceito de que nosso único poder é pela beleza. Chegar ao ponto de só se sentir bonita com quilos de maquiagem e encará-la como indispensável para os mais insignificantes compromissos é experienciar uma insolente falta de auto-aceitação.

Explica perfeitamente o que quero dizer.


Não acho que devemos ser feias para sermos revolucionárias. O que tento mudar é justamente o conceito de beleza: arrumo meu cabelo, uso roupas novas, pinto as unhas, combino as cores do sapato, mas não preciso passar batom, pó, delineador, blush, cílios postiços e salto de 10 cm para sair de casa.

O problema é que, hoje em dia, muitas mulheres não sabem a diferença entre ser vaidosa e ser fútil. O que se tem em mente é que, para ser vaidosa, é necessário cair na futilidade, o que é um grande equívoco. É muito possível que os dois conceitos não caminhem juntos, isto é, podemos sim ser vaidosas sem sermos fúteis.

O problema, portanto, não está na vaidade. Não na vaidade propriamente dita, mas na confusão que se faz de não saberem cuidar da aparência sem cair em extremismos fúteis e desnecessários.

2) O espanto por eu ser psicóloga

Evito falar de minha vida pessoal no blog, mas o faço quando isso é relevante para o tema que abordo. Sim, eu sou formada em Psicologia, mas não atuo na área (para seu alívio). É muito difícil explicar resumidamente porque não, mas, se tivesse que resumir em uma questão, seria justamente isso: o psicólogo precisa ser neutro, precisa aceitar as pessoas em suas diferenças e singularidades sem prejudicar a relação com o paciente em função de seus próprios valores.

Isso vai totalmente contra meu traço de personalidade mais característico: sempre viso a mudança, e acredito que as pessoas podem – e devem - mudar. E, para isso, muitas precisam de um “empurrãozinho”, pois sozinhas não chegaram à determinado questionamento. A transparência é meu oposto, e é com muito orgulho que afirmo que é justamente essa parcialidade que já me possibilitou “iluminar” muitas pessoas, as quais nunca mais foram as mesmas após o momento que passei por suas vidas. Mudaram, para melhor.

Veja, minha angústia é tão ética que prefiro jogar meu diploma – conquistado após longos 5 anos de alegrias e tristezas, anseios e agonias – na gaveta do que fingir ser quem eu não sou, do que utilizar um método com o qual não concordo, do que agir de um modo que vai contra tudo o que acredito.


3)    “Tenho minhas razões para colocar silicone e elas não envolvem somente a questão da estética”.

Amanda, nenhuma mulher nunca vai dizer que quer colocar silicone porque  está na moda. As pessoas resistem à própria mediocridade. Admitir isso – mesmo que para si mesma – seria mesquinho demais. Logo, todas, por mais que tenham feito apenas por moda, irão justificar tal ato com as mais variadas desculpas. “Eu fiz por mim”, “foi pela minha auto-estima”, “sempre quis”, etc. Note que nenhuma delas invalida a influência da mídia.

“Foi pela minha auto-estima”. Claro, na televisão a esmagadora maioria das mulheres que nos sugerem como bonitas e símbolos sexuais têm silicone. As próprias poucas artistas brasileiras que ainda não fizeram a cirurgia comentam ser freqüentemente alvo da pergunta de “quando vão colocar”. Note que sequer está em pauta se elas querem ou precisam, a pergunta “quando” simplesmente já deduz que isso deveria acontecer mais cedo ou mais tarde. Logo, não é algo sobrenatural que as mulheres com pouco seio fiquem com a auto-estima baixa. A todo momento elas são incitadas a isso. Sendo assim, sua baixa auto-estima não vem de você mesma.

“Eu fiz por mim”. Engraçado, nos anos 80 o ideal de mulher bonita e sensual tinha seios pequenos. A própria Christiane Torloni já disse em entrevista que sempre teve complexo dos seios grandes, mas que hoje são símbolo de sensualidade. Pergunte para qualquer mulher acima de 40 anos e a resposta será unânime: seios grandes eram considerados feios, o que explicava grandes índices de cirurgia redutora de mamas.

E por quê há duas décadas as mulheres corriam para os cirurgiões plásticos para reduzir os seios, e hoje o fazem para aumentá-los? Ora, não é óbvio? Porque é moda, porque a mídia dita esta tendência, porque as mulheres são tratadas como seres infantis e eternamente faltantes, eternamente compelidas a fazerem esforços desmedidos para se sentirem aceitas socialmente – pela beleza, em primeiro lugar - seja por qual instrumento for mais conveniente em dado momento, pois fazem-nas acreditar que esse é seu único poder.

Dizer que você quer colocar silicone porque “é um desejo seu”, que “ é por sua auto-estima”, que é “o que você acha bonito” e que, portanto, é um desejo genuinamente individual e que não tem influência externa alguma, é tão ingênuo e falacioso quanto negar a relação óbvia de que, nos anos 80, as mulheres que tinham seios grandes tinham complexos e se sentiam feias, e hoje quem vivencia isso são as de seios pequenos porque em cada momento foi exatamente isso que a mídia pregava. Sério, alguém realmente acredita que essa relação é apenas uma misteriosa coincidência do universo?!

“Não é só por estética”. Se não é por estética, é por quê? É por ser confortável? Ora, ter 2 bolsões de látex debaixo da pele não me parece mais confortável do que ter seios sadios e naturais. É por saúde? Não me soa lógico, haja vista que todos os médicos concordam que as próteses podem mascarar possíveis indícios de câncer de mama, ou seja, você pode desenvolver nódulos e eles não aparecerão nos exames, ficarão escondidos atrás das próteses. É por status? É para se sentir adequada? É para ter assunto com as amigas? Independente da resposta, nada contestaria o exposto acima. 

Os únicos motivos sinceros e legítimos para se colocar silicone, acredito, é em casos de extirpação das mamas devido à câncer ou outro infortúnio ou, ainda, naqueles casos raríssimos em que problemas hormonais não estimularam em absoluto o desenvolvimento dos seios. Em qualquer outro caso, as desculpas simplesmente não colam.

4)    Sou preconceituosa.

Vocês são engraçadas. Reforçam padrões mais preconceituosos impossível, mas ir contra eles é que é ter preconceito. De todo modo, é a velha história do Robin Wood: ele rouba dos ricos para dar aos pobres. Deve ser julgado do mesmo modo que os demais ladrões?

5)    Questionar as próprias atitudes.

Concordo plenamente com você quando diz que o título de meu blog deveria servir a mim também. Garanto-lhe que, antes de questionar os outros, questiono (e muito) a mim mesma. Não sou uma pessoa perfeita, longe disso, mas minha auto-crítica é ferrenha e por isso sempre tento ser uma pessoa melhor e mais coerente – virtude que poucos almejam, devo ressaltar.

Mas da mesma forma que você me vê como uma menina infantil, que camufla seus preconceitos de “pseudo-revolucionarismo”, que esconde seus posicionamentos atrás de questões pessoais não resolvidas, você também me soa como alguém que mudou – declinou, diga-se de passagem - para poder usufruir de um convívio social mais cômodo e justificar desejos vãos, contraditórios ao que outrora julgava corretos.


Considerações finais:

Acho realmente uma pena que sua fase de senso crítico não passou de uma rebeldia adolescente passageira. Se, como você defende, amadurecer é aceitar coisas que não deveríamos aceitar; se é deixar de ser “do contra”, isto é, ter opinião própria e divergente; se é nadar conforme a maré para levar uma vida mais fácil; se é se cegar propositalmente a reflexões para poder justificar seus próprios atos injustificáveis; então eu desejo intensamente chegar aos 80 anos com a mentalidade de uma menina de 15/16 anos.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Faltam homens ou mulheres legais?



É intensamente difundida a idéia de que está difícil encontrar caras legais. Concordo em partes. É difícil achar pessoas legais, seja de qual sexo for. Todavia, creio que está mais difícil achar mulheres legais do que homens legais.



Tem muito homem perto de se tornar um cara legal. Só falta uma mulher inteligente para viabilizar isso.

Eu acredito que há muitos homens por aí que não são exatamente “caras legais”, mas têm o potencial para sê-lo. Muitos estão dispostos a refletir, a mudar, a rever seus (pré)conceitos. Basta alguém para moldá-los. E realmente acredito que muitos homens ainda não são “caras legais” justamente porque nunca tiveram uma mulher inteligente ao lado. Darei exemplos.

Nem os homens querem mais ser provedores e estar com mulheres submissas financeiramente. Até quando serão as mulheres que continuarão querendo isso?

É fato que muitos homens ainda gostam de gritar orgulhosamente que sua esposa “não precisa” trabalhar (há coisa mais gratificante para um homem machista e egoísta do que saber que sua esposa não poderá ir longe sem ele, já que precisa de seu dinheiro até para comprar papel higiênico?), mas diversos homens já cansaram – e com razão – do fadigoso papel de provedor. Muitos desejam uma mulher independente ao seu lado, que preze por seu crescimento profissional e financeiro, e ficam felizes quando vêem suas esposas crescendo tanto quanto eles.



Todavia, existem inúmeras mulheres – e ouso dizer que ainda são a maioria – que ainda exigem que seu companheiro ganhe mais do que elas, que não estão dispostas a dividir a conta do restaurante, que acreditam que o dinheiro que elas ganham é delas, mas o dinheiro do marido é “do casal”.



Ora, mesmo que o homem seja pró-direitos iguais e conseqüentemente acredite que tudo deve ser dividido, ele certamente fará questão de pagar as contas no primeiro encontro, mesmo achando que não deveria ser assim, pois, ao sair com uma garota pela primeira vez, não sabe ao certo se ela julgará isso como uma atitude coerente ou extremamente grosseira. E, para mulheres machistas, ter que dividir a conta no primeiro encontro – ou qualquer encontro – é motivo para nunca mais querer ver o cara.

Muitos homens acreditam que mulher também paga a conta (afinal, direitos e deveres iguais).  Mas muitas vezes não o fazem por medo de perder a companheira.

Os homens querem agradar as mulheres. Eles querem ser gentis. Logo, se comportarão da forma que acreditam que será reforçador perante as mulheres. Sendo assim, muitos acabam perpetuando atitudes machistas, mesmo não concordando, porque são as próprias mulheres que as exigem.

Futilidade não é sexy. Charme é.



Só caras imbecis gostam de mulheres fúteis. Os caras legais não as toleram. Nenhum homem em sã consciência gosta de esperar duas horas enquanto a mulher se arruma e, quando entra no carro, provoca crises de rinite nos outros por causa da maquiagem excessiva e desnecessária. Homem algum se excita com mulheres descontroladas financeiramente, que gastam seus salários no shopping e em tratamentos estéticos. Minto. Sim, há aqueles que se excitam: os homens igualmente fúteis e aqueles para os quais vale qualquer coisa se há chance de “se dar bem” no fim da noite.

Mulher fútil só tem moral com homem fútil.


Caras legais existem. E eles também estão procurando mulheres legais.

Se você têm como referência os homens que dispensam suas namoradas no domingo para ficar assistindo futebol, bebendo latinha de cerveja e arrotando com os amigos; que assistem Pânico na TV; que assinam Playboy; que moram de aluguel mas tem um carro importado; ou se conhece homens apenas nas “raves sertanejas”  e outras baladinhas de pessoas vazias cujo objetivo é descaradamente apenas “pegar”, é claro que não está vendo o menor sentido no que estou dizendo. 

O cara legal não é aquele toscão que adora televisão e cerveja.


Os caras legais existem, e não são tão raros. Mas é preciso saber escolher, é preciso saber onde encontrá-los.



Tem muito homem imbecil no mundo? Com certeza. Mas também há muitas mulheres no mesmo nível. Muito mais do que nós, mulheres, queremos acreditar.

       Tenho amigos e conhecidos que são homens muito interessantes e inteligentes, assim como também recebo muitos comentários masculinos aqui no blog. São caras legais, sensíveis, que desejam dar certo com alguém, que prezam pela fidelidade, que anseiam pela companhia de mulheres batalhadoras, que querem dividir alegrias e tristezas com mulheres sinceras e não materialistas, que desejam bater longos papos desafiadores com mulheres inteligentes. Todos eles compartilham da mesma angústia e se queixam do mesmo problema: está muito difícil achar uma mulher legal.



Isso é tão verdadeiro que eu mesma sinto a escassez de mulheres inteligentes, que não se deixam levar por padrões, que tenham opiniões próprias e críticas, que ouçam boa música, que trabalham para conquistar espaço e serem independentes, e não para pagar uma plástica no fim do ano. Tanto é que ultimamente tenho feito muito mais amizades com homens do que com mulheres. Logo eu, que sempre fui uma entusiasta do universo feminino e sempre me identifiquei e me senti mais à vontade com mulheres. É, só faltava isso para eu definitivamente me tornar a Elaine Benes*.

Elaine Benes: é independente, inteligente e belíssima, mas sem futilidades.


* Elaine Benes é a personagem de Julia Louis-Dreyfus no seriado "Seinfeld". É minha preferida da série pois nossas semelhanças são inúmeras, embora eu desejasse ser mais como ela em alguns pontos, e que ela fosse mais como eu em outros. Nossa diferença mais marcante é o fato de que ela quase não faz amizades com mulheres, apenas com homens. Pelo visto, era.


sábado, 24 de dezembro de 2011

Tenho medo de gurias alaranjadas

Se tem uma coisa bizarra nesse mundo, é o tal do bronzeamento artificial. Não entendo por que alguém paga para se bronzear artificialmente depositando seu corpo naquela câmara claustrofóbica e assumidamente cancerígena. Pô, isso é Brasil! Nosso país de grandeza continental é quase que inteiramente banhado pelo Oceano Atlântico. E não precisa nem ir à praia pra pegar um solzinho: passe o domingo no parque, se estenda no quintal de casa, sei lá. Não tem desculpa para pagar por isso.

A idéia de ficar trancada dentro de uma câmara de bronzeamento artificial
 me dá tanto medo quanto ser enterrada viva. 

Mas a questão principal não é essa. A questão principal é que a pele bronzeada é uma das maiores imposições estéticas da atualidade. É mais um padrão de beleza que a mídia reforça, por meio de diversos instrumentos, e quem não atende a essa característica é ridicularizado por estar fora dos padrões. Tendo isso em vista, o bronzeamento artificial é mais uma coisa estúpida que as mulheres fazem, mesmo correndo riscos de saúde por isso, para se sentirem adequadas, pertencidas e, claro, bonitas, já que a esmagadora maioria delas está totalmente imbecilizada e realmente acredita que a beleza é a maior fonte de realização de uma mulher. 

Porque o que importa é ser loira, bronzeada e ter peito de plástico.
       Apesar de haver diversos homens que chegam a ter mulheres muito brancas - especialmente as de cabelo escuro - como um verdadeiro fetiche, esse padrão estético, via de regra, é muito rechaçado. Eu, que nunca vi ninguém mais branco do que eu (no máximo tão branca quanto) sei bem o que é isso. Mas eu nunca iria condenar meu tempo, dinheiro e principalmente minha saúde para me adequar a um padrão de beleza.

       Essa decisão é audaciosa, porém. A todo momento recebo os indícios de que estou andando na contramão do que é aceito socialmente. Muitas vezes já ouvi mulheres (morenas normalíssimas, alías) dizendo estarem envergonhadas por estarem tão brancas. Ora, isto dito na minha frente deveria soar como o quê? Um elogio? Toda vez que volto da praia as pessoas me questionam, consternadíssimas, porque não voltei bronzeada. Bem, quando vou para a praia, o faço para aproveitar o mar e nadar. Se for só pra ficar pegando sol, não é mais prático ficar na laje de casa? E não vou nem entrar em detalhes de todas as 57 mil vezes que ouvi comentários na rua sobre minha perna branquela. É “super gostoso” ficar ouvindo críticas sobre sua aparência, de pessoas que você nunca viu na vida, no meio da rua, quando só o que você quer é poder andar com suas pernas descobertas sob um calor de 30 graus. Resumindo: é preciso ter muita atitude e auto-confiança para enfrentar um padrão de beleza e ser você mesma. Mas em tempos de individualidades esmagadas e pessoas padronizadas, ávidas para se sentirem aceitas socialmente e seguir irrefletidamente o que é imposto como normal ou bonito, é raro ver alguém que tenha essa coragem de ser verdadeiro consigo mesmo e respeitar seu biotipo, fenótipo e até etnia.

       É desolador ver como as mulheres –normalíssimas, repito - vivem cercadas de neuras e complexos, especialmente para ir à praia. Os homens, em contrapartida, raramente têm vergonha de seu corpo e, mesmo que o tenham, é em nível muito inferior ao das mulheres. Canso de ver homens cheios de cicatrizes, pernas feias, barrigas imensas, medonhas costas peludas que dispensam cobertores para dormir, dentre outros exemplos, e nem por isso ficam constrangidos. Pelo contrário. Usam roupas que evidenciam suas cicatrizes e formas fora do padrão, vão à praia sem angústia de mostrar o corpo.

Dispensa comentários, né?

Reparem como só homens e crianças entram no mar, enquanto todas as mulheres ficam estiradas na areia. Chega a ser ridículo. Algumas eventualmente entram no mar, mas é muito rapidamente, e apenas para se refrescar e voltar à areia com a sensação de estar queimando mais devido ao sal.

Quando estiver na praia, troque a imagem das mulheres 
                            por esta em sua mente. Dá na mesma.

Certo dia passou na televisão uma matéria sobre bronzeamento artificial (a favor, claro). A apresentadora disse: “quem não quer ficar bronzeada, com essa cor de saúde?” Cor de saúde? Gente, essas gurias praticamente expelem raios ultravioletas! Tem que passar protetor solar pra ficar perto delas! Elas ficam alaranjadas e essa cor não é humana! Como isso pode ser saudável?!

O que a televisão não faz para sustentar um padrão de beleza patético, hein? Não só incentiva uma ferramenta de bronzeamento que causa envelhecimento precoce e câncer de pele (esses "detalhes" nunca são devidamente enfocados nas reportagens), como o associa à esbanjamento de saúde!
Vera Fischer, uma das maiores representantes da gangue
das garotas alaranjadas.
Para a maioria das pessoas, essas mulheres abaixo são muito mais belas... 


Paris Hilton, Fergie e Christina Aguilera.

...do que essas.

Ao centro, Nathália Dill, e em sentido horário:
 Nicole Kidman, Julianne Morre, Liv Tyler e Mayana Moura.



Se você ainda quiser insistir que pra ser bonito tem que ser bronzeado, que é seu “gosto pessoal” e que isso não tem influência externa nenhuma, tudo bem. Mas por favor, não tente dizer que isso....

 
Anne Hathaway após sessão de bronzeamento artificial para o filme "Noivas em Guerra".



parece  mais saudável do que isso...Seria insano. 

Anne Hathaway sendo ela mesma.






sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Exército de mulheres fúteis


Estou constatando uma situação muito desesperadora: as mulheres estão cada vez mais fúteis. Elas estão cada vez mais obcecadas por estética, consumistas, valorizando coisas (e pessoas) superficiais e vazias, e seguindo modismos sem crítica nenhuma. Fico espantada de ver como a maioria delas está absolutamente igual: pintando o cabelo de loiro (quase sempre “estilo canetinha”, uma espécie de luzes sobre a qual discursei no meu texto chamado “A culpa é da Anastácia”), estão sempre de dieta, usando as mesmas roupas e com peito de plástico, é, quer dizer, silicone (ou sonhando em pôr).



A beleza é a maior virtude e a maior fonte de aceitação social para elas. Para alcançá-la, elas fazem qualquer coisa: passam fome para não engordar, gastam horas no centro de estética fazendo drenagem linfática ou algo do tipo, gastam rios de dinheiro no salão de beleza todo mês, saem de casa parecendo a Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo de tanta maquiagem, chegam em casa com o pé moído de ter andado de salto alto o dia todo (mas não cogitam em hipótese alguma deixar de usar alto, afinal, o que importa é estar bonita, por mais que você esteja morrendo de dor), chegam na faculdade às 19h e ainda vão retocar a maquiagem, passam horas na academia malhando pra ficar com o corpinho padronizado que a mídia impõe que as mulheres devem ter.

Muitas querem ter sua independência financeira, querem trabalhar, mas juntam o primeiro dinheiro que começam a ganhar profissionalmente pra pagar a cirurgia plástica com a qual sonham desde os 14 anos. Muitas querem se estabelecer profissionalmente, mas acham que o homem deve ter, no mínimo, a mesma condição financeira que elas. (“Deus o livre” estar com um cara que ganha menos do que elas.)



Muitas acreditam ser modernas e politicamente corretas, acreditando que o casal deve dividir a conta dos lugares que freqüentam, mas acham um absurdo ter que dividir o motel ou ter que dividir a conta no primeiro encontro. Outras tantas acham um absurdo ter que dividir a conta em qualquer circunstância: acham que o namorado tem que pagar tudo, ou pelo menos sonham com como seria delicioso ter um relacionamento assim (“Já que eu gastei tanto tempo e dinheiro no salão de beleza, o cara não faz mais do que obrigação por pagar o restaurante”, elas devem pensar). Muitas têm seu próprio carro (porque ganharam dos pais ou porque conquistaram com seu próprio dinheiro), mas acham um absurdo ter que deixar o cara em casa; acreditam piamente que o homem tem o dever de ser o motorista particular delas. Revezar as caronas - ou seja, às vezes o cara as pega e as deixa em casa para eles saírem, e, outras vezes, ela pega e deixa o cara em casa com o carro dela – é, para elas, coisa de homem folgado.



O namorado é sempre o motorista oficial, até quando eles estão usando o carro dela. Ela só dirige quando está com as amigas, e nesses momentos se divide entre prestar atenção no trânsito, passar rímel e cantar junto com a Ivete Sangalo seu mais novo sucesso das rádios.
Elas só freqüentam bares em que toca o estilo de música que está na moda no momento. Ouvem sertanejo, música eletrônica, Rihanna, etc. Enfim, qualquer coisa que esteja na moda. Em outras épocas, quando tais cantores e tais estilos musicais não tocavam nas rádios, elas ouviam o que estava na moda na época. Adoram sertanejo, mas é claro que na época em que isso era música de diarista elas nem passavam perto desse estilo. O que importa é ouvir o que toca na MTV e nas rádios; qualquer coisa diferente disso, nem chega ao restrito conhecimento musical delas.


Só se interessam por homens que fazem o estilo “galã de novela das 8”. Mas não basta ser o Ken (afinal, elas são a Barbie), tem que ter carro. E o carro deles deve ser, no mínimo, do mesmo padrão que o delas. Se eles tiverem um Audi A3, um Honda Civic (branco!) ou um Vectra Hatch, pronto, elas gamam. Se ela tem um Renault Sandero e você um Gol 1998, pode esquecer.


As mulheres fúteis não têm posicionamento crítico sobre nada. Discordar de algo é quase improvável. Na roda de amigas, todas com roupa de academia e tênis Nike Shox, elas só concordam com tudo e respondem a seguinte frase pra qualquer que tenha sido o comentário: “ai amigaaa, se vai te fazer feliz, faça mesmooo!”.


Minha estratégia para propiciar alguma mudança nesse quadro é fazer um apelo aos homens. É claro, entretanto, que existem homens igualmente fúteis e que gostam de mulheres assim. Para esses, meu apelo seria em vão. Dirijo-me, portanto, aos outros homens – e sei que há muitos deles - que não simpatizam com a futilidade de certas mulheres e sofrem, de alguma forma, com isso. A esses, sugiro: rejeitem o comportamento fútil de suas namoradas, irmãs, amigas! Exijam autenticidade por parte delas, vocês têm liberdade de dizer que acham ridícula aquela bota com salto de travesti (o salto parece um casco) que elas usam só porque está todo mundo usando. Vocês não precisam ficar horas ouvindo reclamações de quantos quilinhos a mais elas ganharam e de quais exercícios elas tiveram que fazer na academia para queimá-los. Vocês não precisam entrar no mar sozinhos só porque sua namorada não quer perder um minuto de exposição ao sol; mostre a ela o quanto é bom nadar e que não voltar bronzeada da praia não é pecado. Vocês não precisam ser os únicos a ter que gastar o carro e a gasolina; ela também pode te buscar e te deixar em casa. Vocês não devem pagar por tudo; se a guria não gostou que você sugeriu a divisão da conta, parta pra outra, ela está mais interessada em sua conta bancária do que em você. Não tire seu CD do Deep Purple pra ela ouvir Cláudia Leite. Não se privem de ir à pizzaria quando tem vontade e arrastem sua namorada junto, mostre a ela que é absurdo deixar de comer uma pizza deliciosa pra comer salada.

É possível alguém achar esse troço bonito?


Homens, façam sua parte!Ajudem essas mulheres a largar o mundo da futilidade! Antes que eu me convença que vocês gostam de ser tratados como otários.