Pretendo utilizar esse blog para exteriorizar minhas até então silenciosas reflexões acerca de sociedade,cultura,psicologia, filosofia,feminismo,música e assuntos contemporâneos. Prometo que este não será mais um espaço narcisista – como muitos outros blogs - para se postar as últimas fotos da “balada” e para falar sobre o que comi no almoço. Busco, aqui, lançar reflexões sobre assuntos que julgo de extrema importância serem debatidos. Let the show begin.
Muitos leitores, assim
como Amanda, devem acreditar que sou contra a vaidade. Devem crer que eu
considere futilidade se arrumar, se maquiar, ir ao shopping, etc. Alguns devem
até deduzir que eu acredite que as mulheres devam ser feias para serem
revolucionárias. Essa interpretação equivocada de meu pensamento me preocupa
muito, pois passa longe da veracidade.
Eu não sou contra a
vaidade. Não a vaidade propriamente dita. Eu mesma sempre faço escova no cabelo,
por exemplo. Adoro cabelo ondulado e cacheado, mas o meu, naturalmente, é
daquele estilo ondulado indefinido, que parece descabelado não importa quantas
mil vezes penteei. Soma-se a isso o fato de que tenho 3 vezes a quantidade de
cabelo que uma pessoa normal tem (é sério).
Adoro comprar roupa nova
(mas confesso que ultimamente só compro em promoção) e já fiz várias sessões de
depilação a laser. Adoro pintar as unhas, principalmente de cores fortes como
vermelho, vinho e marrom. Amo brincos, principalmente os enormes, e não cogito
ficar sem eles.
Maquiagem admito que não
uso no dia-a-dia pelo simples fato de não achar necessário. Uso apenas em
ocasiões especiais, mas mesmo assim de um modo muito leve. Digamos que batom
não combina muito comigo, eu simplesmente fico parecendo um periquito comendo
uma cereja. Bizarro mesmo.
Mas não acho que quem se
maquia é fútil. Um delineador de olhos e um brilho labial não fazem mal à
ninguém; pelo contrário. O que eu acho fútil é aquela necessidade de estar
sempre com aquela maquiagem extremamente carregada, estilo Emília do Sítio do
Pica-Pau Amarelo, para todas as situações, inclusive as mais insignificantes. O
que eu acho fútil é aquela obsessão por estar sempre impecavelmente arrumada 24
horas por dia. Além de futilidade, isto denuncia um problema maior: o machismo
invisível, segundo o qual as mulheres devem sempre ser julgadas por suas
características físicas.
A
vaidade não é um problema...até que se torne uma questão de gênero.
Isso não tem a mínima graça.
Não é novidade para
ninguém que, enquanto as mulheres estão neuroticamente preocupadas com sua
aparência, os homens só tomam banho, passam desodorante e vestem aquela
camisetinha branca básica. Isso pouco importa para a vida social ou
profissional deles. Eles simplesmente não precisam ser aprovados pela aparência
para conquistarem respeito ou o que quer que seja. Tem algo injusto aí, não?
Outra questão relevante
é que a esmagadora maioria da população mundial não esbanja quantias
inesgotáveis de dinheiro. Muito menos as mulheres, que ainda ganham menos que
os homens. Sendo assim, você não consegue comprar tudo o que deseja e ainda pagar
todas as contas do mês; é preciso estabelecer prioridades.
E o que isso significa?
Bem, é fácil: se a prioridade de muitas mulheres é freqüentar o salão de beleza
todo mês, fazer drenagem linfática habitualmente, pagar a “lipinho básica” no
fim do ano e comprar bolsas que custam mais que um salário mínimo, quem acaba
pagando a escola das crianças, a conta de luz, o IPVA, a comida para pôr na
mesa? Exatamente, o homem. E, se desejamos igualdade, ela começa pelos deveres iguais, inclusive os financeiros.
Acho que sei pra quem vão sobrar essas contas...
Quando
a vaidade deixa de ser saudável.
Cansei de ver meninas e
mulheres chegando à faculdade à noite, após um longo dia de trabalho e minutos
antes de começar a aula, obstinadas a retocar a maquiagem (com instrumentos tão
diversos que alguns deles sequer sei o nome). Ora, pra quê? É só uma aula, você
está aqui para estudar! Algumas estão tão maquiadas logo cedo (e para os
compromissos mais desnecessários) que só podem ter acordado 5 horas da manhã
para isso. Algumas são tão neuroticamente retocadas com pó que dão até vontade
de espirrar.
Sempre vejo mulheres que
mal conseguem andar devido ao salto altíssimo. No fim do dia, estão fisicamente
esgotadas e seus pés moídos não lhes permitem fazer mais nada. Não é à toa que
são presa fácil de assaltantes: elas não vão conseguir fugir!
Sapato com salto é mais
bonito? Pode até ser, mas o primordial não deveria ser o conforto? Vejam, não
precisamos viver de “rasteirinha” para estarmos confortáveis. É possível sim
usar sapatos com saltos, mas daquele tipo que ainda te permite realizar funções
básicas como andar e sair para almoçar.
Todo dia vejo mulheres se
privando de certos alimentos, reclamando que “esse engorda”, “isso dá barriga”.
Não se entregam a uma pizza deliciosa ou a um cachorro-quente suculento. Se o
fazem, é com culpa. Elas contam calorias até de um copo de suco.
Ora, isso não é vaidade.
Isso é escravidão à estética; é incorporar o conceito de que mulher só tem
valor se for para enfeitar o ambiente sexualmente; é reforçar o conceito de que
nosso único poder é pela beleza; é fortalecer o valor de que precisamos ser
julgadas pela aparência, antes de tudo.
Beleza
e revolucionarismo não são antônimos.
Isso não significa que
devemos ser feias para sermos revolucionárias. O que tento mudar é justamente o
conceito de mulher feia: arrumo meu cabelo, uso roupas novas, pinto as unhas,
combino as cores do sapato, mas não preciso passar batom, pó, delineador,
blush, pôr cílios postiços, gastar minhas economias em cirurgias plásticas e usar
diariamente salto de 10 cm
para poder ir até a esquina.
Hoje em dia, muitas
mulheres não sabem a diferença entre ser vaidosa e ser fútil. Creem que só
existem dois extremos: ser vaidosa e fútil ou não-vaidosa e “baranga”. O que se
tem em mente é que, para ser bonita, é necessário cair na futilidade, o que é
um grande equívoco. É muito possível que os dois conceitos não caminhem juntos,
o que significa que podemos ser vaidosas sem sermos fúteis e, melhor ainda,
podermos ser bonitas e ainda sermos revolucionárias.
Se arrumar e se maquiar
é legal? É. O que não é legal é tratar isso como se fosse o maior valor de uma
mulher, o primordial em nossa existência, um passaporte necessário para ser
respeitada, um pré-requisito para poder aceitar a si mesma. O espelho não pode
se tornar a nova submissão da mulher.
Recebi um comentário da
Amanda no texto “Faltam homens ou mulheres legais?”. Sua crítica foi extensa e
contundente, e por isso merece atenção especial. Entretanto, minha prolixidade
não me permite responder em uma mera caixinha de comentários. Como ela levanta dois
questionamentos que acredito serem comuns a outros leitores (resumidamente, que
eu não passo de uma “revoltadinha” e que eu não deveria ser psicóloga por ser
tão intransigente e incisiva em minhas críticas), resolvi dedicar um post para
respondê-la, pois pode servir a outras pessoas.
O comentário foi o
seguinte:
"Bruna,
É impressionante como suas opiniões são parecidas com as opiniões que ostentava
quando tinha meus 15,16 anos!
Eu era uma menina extremamente do contra. Enquanto minhas amigas ouviam pagode,
eu escutava Pink Floyd, enquanto elas usavam vestidinho e salto alto, eu usava
all-star e cintos de rebiche. Era comum fazer longas reflexões sobre a vida,
sobre capitalismo, sobre futilidade, sobre querer ir morar em uma daquelas
reservas (?) anti-capitalistas onde os alimentos são plantados e cultivados. Eu
cresci revoltada, anti-social, apedrejava carros que passavam com “músicas”
altas e não me aproximava, de maneira alguma, de pessoas que considerava
produtos do sistema capitalista/consumista.
E olha que ainda levantava a bandeira do “Não ao preconceito”.
É verdade que por trás de toda essa revolta havia muitos ressentimentos, muitos
traumas, muitas coisas não resolvidas dentro de mim. No entanto, isso não me
dava o direito de ter agido com tamanha hostilidade com pessoas que sequer
conhecia! Eu não me deixei viver tanta coisa!...
Hoje, com 23 anos, estou planejando minha cirurgia para a prótese do silicone.
Calma, não puxe os cabelos. Não me tornei uma mulher-fútil-interesseira-robotica-plástica-sem
opinião. Apenas amadureci. Não que o amadurecimento esteja ligado ao uso do
silicone, por Deus. Tenho minhas razões para fazer a cirurgia e elas não
envolvem somente à questão da estética.
Tudo o que consegui foi devido ao meu próprio esforço. Formei-me na faculdade
com meu próprio dinheiro, enfrentei dificuldades, venci batalhas, superei
doenças. Hoje sou uma mulher independente, com a mente aberta, tentando me
livrar de estigmas e definitivamente muito mais feliz!
Eu vejo em seus textos muito preconceito camuflado em pseudo- revolucionarismo,
perdoe-me a sinceridade. Onde raios você se baseou para afirmar que mulheres
que gostam de se arrumar e, conseqüentemente, se maquiar, são fúteis??! Devemos
todas sair pelas ruas iguais umas mocorongas, com o cabelo desgrenhado e
olheiras assustadoras só porque é “revolucionário”???. Amiga, entenda o que eu
demorei muito a atender: A SUA VERDADE NÃO É ABSOLUTA. O certo e o errado, se
não os levarmos ao extremo, são sim relativos! Espanta-me saber que você é
psicóloga.
Como você trataria uma paciente que chegasse ao seu consultório com peitos de
silicone, cabelo “acinzentado” de luzes e maquiagem à la patati-patatá? Você
falaria “Vá de retro satanás” ou tentaria entender os motivos que levaram essa
pessoa a ser/se comportar daquela maneira? E por que não pode ter essa mesma
postura no seu dia-a-dia?
Anyway, falei de mais.Platão com certeza mandou bem na frase que intitula seu
blog e acredito piamente que questionar as próprias atitudes também estão
inclusas na significação da frase.
Tenha uma boa vida!"
Meus comentários seguem abaixo.
1)Mulher
que se arruma e se maquia é fútil.
Eu peço que me mostre
quando e onde eu disse que mulher que se arruma e se maquia é fútil. Quando e
onde, aliás, eu disse ou dei a entender que devemos ser “mocorongas” para
sermos revolucionárias?
Eu não sou contra a
vaidade propriamente dita. Eu mesma sempre faço escova no cabelo, adoro comprar
uma roupa nova (pois é) e já fiz algumas (várias) sessões de depilação a laser.
Maquiagem admito que não uso no dia-a-dia pelo simples fato de não achar
necessário (exceto em ocasiões especiais).
Mas não acho que quem se
maquia é fútil. Um delineador de olhos e um batom não fazem mal à ninguém, pelo
contrário. O que eu acho fútil, e é o que critico, é aquela necessidade de
estar sempre com aquela maquiagem extremamente carregada, estilo Emília do
Sítio do Pica-Pau Amarelo, para todas as situações, inclusive as mais
insignificantes.
Cansei de ver meninas e jovens
moças chegando à faculdade à noite, após um longo dia de trabalho e minutos
antes de começar a aula, obstinadas a retocar a maquiagem (com instrumentos tão
diversos que alguns deles sequer sei o nome). Ora, pra quê? É só uma aula, você
está aqui para estudar! Algumas estão tão maquiadas logo cedo (e para os
compromissos mais corriqueiros) que só podem ter acordado 5 horas da manhã para
isso.
Ora, isso é escravidão à estética, é
incorporar o conceito de que mulher só tem valor se for atrativa sexualmente;
que tem que enfeitar o ambiente sexualmente a todo instante de sua vida; é
reforçar o conceito de que nosso único poder é pela beleza. Chegar ao ponto de
só se sentir bonita com quilos de maquiagem e encará-la como indispensável para
os mais insignificantes compromissos é experienciar uma insolente falta de
auto-aceitação.
Explica perfeitamente o que quero dizer.
Não acho que devemos ser
feias para sermos revolucionárias. O que tento mudar é justamente o conceito de
beleza: arrumo meu cabelo, uso roupas novas, pinto as unhas, combino as cores
do sapato, mas não preciso passar batom, pó, delineador, blush, cílios postiços
e salto de 10 cm
para sair de casa.
O problema é que, hoje
em dia, muitas mulheres não sabem a diferença entre ser vaidosa e ser fútil. O
que se tem em mente é que, para ser vaidosa, é necessário cair na futilidade, o
que é um grande equívoco. É muito possível que os dois conceitos não caminhem juntos,
isto é, podemos sim ser vaidosas sem sermos fúteis.
O problema, portanto,
não está na vaidade. Não na vaidade propriamente dita, mas na confusão que se
faz de não saberem cuidar da aparência sem cair em extremismos fúteis e
desnecessários.
2)
O espanto por eu ser psicóloga
Evito falar de minha
vida pessoal no blog, mas o faço quando isso é relevante para o tema que
abordo. Sim, eu sou formada em Psicologia, mas não atuo na área (para seu
alívio). É muito difícil explicar resumidamente porque não, mas, se tivesse que
resumir em uma questão, seria justamente isso: o psicólogo precisa ser neutro,
precisa aceitar as pessoas em suas diferenças e singularidades sem prejudicar a
relação com o paciente em função de seus próprios valores.
Isso vai totalmente contra
meu traço de personalidade mais característico: sempre viso a mudança, e
acredito que as pessoas podem – e devem - mudar. E, para isso, muitas precisam
de um “empurrãozinho”, pois sozinhas não chegaram à determinado questionamento.
A transparência é meu oposto, e é com muito orgulho que afirmo que é justamente
essa parcialidade que já me possibilitou “iluminar” muitas pessoas, as quais
nunca mais foram as mesmas após o momento que passei por suas vidas. Mudaram,
para melhor.
Veja, minha angústia é
tão ética que prefiro jogar meu diploma – conquistado após longos 5 anos de
alegrias e tristezas, anseios e agonias – na gaveta do que fingir ser quem eu
não sou, do que utilizar um método com o qual não concordo, do que agir de um
modo que vai contra tudo o que acredito.
3)“Tenho
minhas razões para colocar silicone e elas não envolvem somente a questão da
estética”.
Amanda, nenhuma mulher nunca vai dizer
que quer colocar silicone porque está
na moda. As pessoas resistem à própria mediocridade. Admitir isso – mesmo que
para si mesma – seria mesquinho demais. Logo, todas, por mais que tenham feito
apenas por moda, irão justificar tal ato com as mais variadas desculpas. “Eu
fiz por mim”, “foi pela minha auto-estima”, “sempre quis”, etc. Note que
nenhuma delas invalida a influência da mídia.
“Foi
pela minha auto-estima”.
Claro, na televisão a esmagadora maioria das mulheres que nos sugerem como
bonitas e símbolos sexuais têm silicone. As próprias poucas artistas
brasileiras que ainda não fizeram a cirurgia comentam ser freqüentemente alvo
da pergunta de “quando vão colocar”. Note que sequer está em pauta se elas
querem ou precisam, a pergunta “quando” simplesmente já deduz que isso deveria
acontecer mais cedo ou mais tarde. Logo, não é algo sobrenatural que as mulheres
com pouco seio fiquem com a auto-estima baixa. A todo momento elas são
incitadas a isso. Sendo assim, sua baixa auto-estima não vem de você mesma.
“Eu
fiz por mim”. Engraçado,
nos anos 80 o ideal de mulher bonita e sensual tinha seios pequenos. A própria
Christiane Torloni já disse em entrevista que sempre teve complexo dos seios
grandes, mas que hoje são símbolo de sensualidade. Pergunte para qualquer
mulher acima de 40 anos e a resposta será unânime: seios grandes eram
considerados feios, o que explicava grandes índices de cirurgia redutora de
mamas.
E por quê há duas décadas as mulheres
corriam para os cirurgiões plásticos para reduzir os seios, e hoje o fazem para
aumentá-los? Ora, não é óbvio? Porque é moda, porque a mídia dita esta
tendência, porque as mulheres são tratadas como seres infantis e eternamente
faltantes, eternamente compelidas a fazerem esforços desmedidos para se
sentirem aceitas socialmente – pela beleza, em primeiro lugar - seja por qual
instrumento for mais conveniente em dado momento, pois fazem-nas acreditar que
esse é seu único poder.
Dizer que você quer colocar silicone
porque “é um desejo seu”, que “ é por sua auto-estima”, que é “o que você acha bonito” e que, portanto, é um
desejo genuinamente individual e que não tem influência externa alguma, é tão
ingênuo e falacioso quanto negar a relação
óbvia de que, nos anos 80, as mulheres que tinham seios grandes tinham
complexos e se sentiam feias, e hoje quem vivencia isso são as de seios
pequenos porque em cada momento foi exatamente isso que a mídia pregava. Sério,
alguém realmente acredita que essa relação é apenas uma misteriosa coincidência do universo?!
“Não
é só por estética”. Se
não é por estética, é por quê? É por ser confortável? Ora, ter 2 bolsões de
látex debaixo da pele não me parece mais confortável do que ter seios sadios e
naturais. É por saúde? Não me soa lógico, haja vista que todos os médicos
concordam que as próteses podem mascarar possíveis indícios de câncer de mama,
ou seja, você pode desenvolver nódulos e eles não aparecerão nos exames,
ficarão escondidos atrás das próteses. É por status? É para se sentir adequada?
É para ter assunto com as amigas? Independente da resposta, nada contestaria o
exposto acima.
Os únicos motivos sinceros e legítimos
para se colocar silicone, acredito, é em casos de extirpação das mamas devido à
câncer ou outro infortúnio ou, ainda, naqueles casos raríssimos em que
problemas hormonais não estimularam em absoluto o desenvolvimento dos seios. Em
qualquer outro caso, as desculpas simplesmente não colam.
4)Sou preconceituosa.
Vocês são engraçadas. Reforçam padrões
mais preconceituosos impossível, mas ir contra eles é que é ter preconceito. De
todo modo, é a velha história do Robin Wood: ele rouba dos ricos para dar aos
pobres. Deve ser julgado do mesmo modo que os demais ladrões?
5)Questionar as próprias atitudes.
Concordo plenamente com
você quando diz que o título de meu blog deveria servir a mim também.
Garanto-lhe que, antes de questionar os outros, questiono (e muito) a mim mesma.
Não sou uma pessoa perfeita, longe disso, mas minha auto-crítica é ferrenha e por
isso sempre tento ser uma pessoa melhor e mais coerente – virtude que poucos
almejam, devo ressaltar.
Mas da mesma forma que
você me vê como uma menina infantil, que camufla seus preconceitos de
“pseudo-revolucionarismo”, que esconde seus posicionamentos atrás de questões
pessoais não resolvidas, você também me soa como alguém que mudou – declinou,
diga-se de passagem - para poder usufruir de um convívio social mais cômodo e
justificar desejos vãos, contraditórios ao que outrora julgava corretos.
Considerações
finais:
Acho realmente uma pena
que sua fase de senso crítico não passou de uma rebeldia adolescente
passageira. Se, como você defende, amadurecer é aceitar coisas que não
deveríamos aceitar; se é deixar de ser “do contra”, isto é, ter opinião própria
e divergente; se é nadar conforme a maré para levar uma vida mais fácil; se é
se cegar propositalmente a reflexões para poder justificar seus próprios atos
injustificáveis; então eu desejo intensamente chegar aos 80 anos com a
mentalidade de uma menina de 15/16 anos.
É intensamente difundida a idéia de que está difícil encontrar caras legais. Concordo em partes. É difícil achar pessoas legais, seja de qual sexo for. Todavia, creio que está mais difícil achar mulheres legais do que homens legais.
Tem muito homem perto de se tornar um cara legal. Só falta uma mulher inteligente para viabilizar isso.
Eu acredito que há muitos homens por aí que não são exatamente “caras legais”, mas têm o potencial para sê-lo. Muitos estão dispostos a refletir, a mudar, a rever seus (pré)conceitos. Basta alguém para moldá-los. E realmente acredito que muitos homens ainda não são “caras legais” justamente porque nunca tiveram uma mulher inteligente ao lado. Darei exemplos.
Nem os homens querem mais ser provedores e estar com mulheres submissas financeiramente. Até quando serão as mulheres que continuarão querendo isso?
É fato que muitos homens ainda gostam de gritar orgulhosamente que sua esposa “não precisa” trabalhar (há coisa mais gratificante para um homem machista e egoísta do que saber que sua esposa não poderá ir longe sem ele, já que precisa de seu dinheiro até para comprar papel higiênico?), mas diversos homens já cansaram – e com razão – do fadigoso papel de provedor. Muitos desejam uma mulher independente ao seu lado, que preze por seu crescimento profissional e financeiro, e ficam felizes quando vêem suas esposas crescendo tanto quanto eles.
Todavia, existem inúmeras mulheres – e ouso dizer que ainda são a maioria – que ainda exigem que seu companheiro ganhe mais do que elas, que não estão dispostas a dividir a conta do restaurante, que acreditam que o dinheiro que elas ganham é delas, mas o dinheiro do marido é “do casal”.
Ora, mesmo que o homem seja pró-direitos iguais e conseqüentemente acredite que tudo deve ser dividido, ele certamente fará questão de pagar as contas no primeiro encontro, mesmo achando que não deveria ser assim, pois, ao sair com uma garota pela primeira vez, não sabe ao certo se ela julgará isso como uma atitude coerente ou extremamente grosseira. E, para mulheres machistas, ter que dividir a conta no primeiro encontro – ou qualquer encontro – é motivo para nunca mais querer ver o cara.
Muitos homens acreditam que mulher também paga a conta (afinal, direitos e deveres iguais). Mas muitas vezes não o fazem por medo de perder a companheira.
Os homens querem agradar as mulheres. Eles querem ser gentis. Logo, se comportarão da forma que acreditam que será reforçador perante as mulheres. Sendo assim, muitos acabam perpetuando atitudes machistas, mesmo não concordando, porque são as próprias mulheres que as exigem.
Futilidade não é sexy. Charme é.
Só caras imbecis gostam de mulheres fúteis. Os caras legais não as toleram. Nenhum homem em sã consciência gosta de esperar duas horas enquanto a mulher se arruma e, quando entra no carro, provoca crises de rinite nos outros por causa da maquiagem excessiva e desnecessária. Homem algum se excita com mulheres descontroladas financeiramente, que gastam seus salários no shopping e em tratamentos estéticos. Minto. Sim, há aqueles que se excitam: os homens igualmente fúteis e aqueles para os quais vale qualquer coisa se há chance de “se dar bem” no fim da noite.
Mulher fútil só tem moral com homem fútil.
Caras legais existem. E eles também estão procurando mulheres legais.
Se você têm como referência os homens que dispensam suas namoradas no domingo para ficar assistindo futebol, bebendo latinha de cerveja e arrotando com os amigos; que assistem Pânico na TV; que assinam Playboy; que moram de aluguel mas tem um carro importado; ou se conhece homens apenas nas “raves sertanejas” e outras baladinhas de pessoas vazias cujo objetivo é descaradamente apenas “pegar”, é claro que não está vendo o menor sentido no que estou dizendo.
O cara legal não é aquele toscão que adora televisão e cerveja.
Os caras legais existem, e não são tão raros. Mas é preciso saber escolher, é preciso saber onde encontrá-los.
Tem muito homem imbecil no mundo? Com certeza. Mas também há muitas mulheres no mesmo nível. Muito mais do que nós, mulheres, queremos acreditar.
Tenho amigos e conhecidos que são homens muito interessantes e inteligentes, assim como também recebo muitos comentários masculinos aqui no blog. São caras legais, sensíveis, que desejam dar certo com alguém, que prezam pela fidelidade, que anseiam pela companhia de mulheres batalhadoras, que querem dividir alegrias e tristezas com mulheres sinceras e não materialistas, que desejam bater longos papos desafiadores com mulheres inteligentes. Todos eles compartilham da mesma angústia e se queixam do mesmo problema: está muito difícil achar uma mulher legal.
Isso é tão verdadeiro que eu mesma sinto a escassez de mulheres inteligentes, que não se deixam levar por padrões, que tenham opiniões próprias e críticas, que ouçam boa música, que trabalham para conquistar espaço e serem independentes, e não para pagar uma plástica no fim do ano. Tanto é que ultimamente tenho feito muito mais amizades com homens do que com mulheres. Logo eu, que sempre fui uma entusiasta do universo feminino e sempre me identifiquei e me senti mais à vontade com mulheres. É, só faltava isso para eu definitivamente me tornar a Elaine Benes*.
Elaine Benes: é independente, inteligente e belíssima, mas sem futilidades.
* Elaine Benes é a personagem de Julia Louis-Dreyfus no seriado "Seinfeld". É minha preferida da série pois nossas semelhanças são inúmeras, embora eu desejasse ser mais como ela em alguns pontos, e que ela fosse mais como eu em outros. Nossa diferença mais marcante é o fato de que ela quase não faz amizades com mulheres, apenas com homens. Pelo visto, era.
Se tem uma coisa bizarra nesse mundo, é o tal do bronzeamento artificial. Não entendo por que alguém paga para se bronzear artificialmente depositando seu corpo naquela câmara claustrofóbica e assumidamente cancerígena. Pô, isso é Brasil! Nosso país de grandeza continental é quase que inteiramente banhado pelo Oceano Atlântico. E não precisa nem ir à praia pra pegar um solzinho: passe o domingo no parque, se estenda no quintal de casa, sei lá. Não tem desculpa para pagar por isso.
A idéia de ficar trancada dentro de uma câmara de bronzeamento artificial
me dá tanto medo quanto ser enterrada viva.
Mas a questão principal não é essa. A questão principal é que a pele bronzeada é uma das maiores imposições estéticas da atualidade. É mais um padrão de beleza que a mídia reforça, por meio de diversos instrumentos, e quem não atende a essa característica é ridicularizado por estar fora dos padrões. Tendo isso em vista, o bronzeamento artificial é mais uma coisa estúpida que as mulheres fazem, mesmo correndo riscos de saúde por isso, para se sentirem adequadas, pertencidas e, claro, bonitas, já que a esmagadora maioria delas está totalmente imbecilizada e realmente acredita que a beleza é a maior fonte de realização de uma mulher.
Porque o que importa é ser loira, bronzeada e ter peito de plástico.
Apesar de haver diversos homens que chegam a ter mulheres muito brancas - especialmente as de cabelo escuro - como um verdadeiro fetiche, esse padrão estético, via de regra, é muito rechaçado. Eu, que nunca vi ninguém mais branco do que eu (no máximo tão branca quanto) sei bem o que é isso. Mas eu nunca iria condenar meu tempo, dinheiro e principalmente minha saúde para me adequar a um padrão de beleza.
Essa decisão é audaciosa, porém. A todo momento recebo os indícios de que estou andando na contramão do que é aceito socialmente. Muitas vezes já ouvi mulheres (morenas normalíssimas, alías) dizendo estarem envergonhadas por estarem tão brancas. Ora, isto dito na minha frente deveria soar como o quê? Um elogio? Toda vez que volto da praia as pessoas me questionam, consternadíssimas, porque não voltei bronzeada. Bem, quando vou para a praia, o faço para aproveitar o mar e nadar. Se for só pra ficar pegando sol, não é mais prático ficar na laje de casa? E não vou nem entrar em detalhes de todas as 57 mil vezes que ouvi comentários na rua sobre minha perna branquela. É “super gostoso” ficar ouvindo críticas sobre sua aparência, de pessoas que você nunca viu na vida, no meio da rua, quando só o que você quer é poder andar com suas pernas descobertas sob um calor de 30 graus. Resumindo: é preciso ter muita atitude e auto-confiança para enfrentar um padrão de beleza e ser você mesma. Mas em tempos de individualidades esmagadas e pessoas padronizadas, ávidas para se sentirem aceitas socialmente e seguir irrefletidamente o que é imposto como normal ou bonito, é raro ver alguém que tenha essa coragem de ser verdadeiro consigo mesmo e respeitar seu biotipo, fenótipo e até etnia.
É desolador ver como as mulheres –normalíssimas, repito - vivem cercadas de neuras e complexos, especialmente para ir à praia. Os homens, em contrapartida, raramente têm vergonha de seu corpo e, mesmo que o tenham, é em nível muito inferior ao das mulheres. Canso de ver homens cheios de cicatrizes, pernas feias, barrigas imensas, medonhas costas peludas que dispensam cobertores para dormir, dentre outros exemplos, e nem por isso ficam constrangidos. Pelo contrário. Usam roupas que evidenciam suas cicatrizes e formas fora do padrão, vão à praia sem angústia de mostrar o corpo.
Dispensa comentários, né?
Reparem como só homens e crianças entram no mar, enquanto todas as mulheres ficam estiradas na areia. Chega a ser ridículo. Algumas eventualmente entram no mar, mas é muito rapidamente, e apenas para se refrescar e voltar à areia com a sensação de estar queimando mais devido ao sal.
Quando estiver na praia, troque a imagem das mulheres por esta em sua mente. Dá na mesma.
Certo dia passou na televisão uma matéria sobre bronzeamento artificial (a favor, claro). A apresentadora disse: “quem não quer ficar bronzeada, com essa cor de saúde?” Cor de saúde? Gente, essas gurias praticamente expelem raios ultravioletas! Tem que passar protetor solar pra ficar perto delas! Elas ficam alaranjadas e essa cor não é humana! Como isso pode ser saudável?!
O que a televisão não faz para sustentar um padrão de beleza patético, hein? Não só incentiva uma ferramenta de bronzeamento que causa envelhecimento precoce e câncer de pele (esses "detalhes" nunca são devidamente enfocados nas reportagens), como o associa à esbanjamento de saúde!
Vera Fischer, uma das maiores representantes da gangue
das garotas alaranjadas.
Para a maioria das pessoas, essas mulheres abaixo são muito mais belas...
Paris Hilton, Fergie e Christina Aguilera.
...do que essas.
Ao centro, Nathália Dill, e em sentido horário:
Nicole Kidman, Julianne Morre, Liv Tyler e Mayana Moura.
Se você ainda quiser insistir que pra ser bonito tem que ser bronzeado, que é seu “gosto pessoal” e que isso não tem influência externa nenhuma, tudo bem. Mas por favor, não tente dizer que isso....
Anne Hathaway após sessão de bronzeamento artificial para o filme "Noivas em Guerra".
parece mais saudável do que isso...Seria insano.
Estou constatando uma situação muito desesperadora: as mulheres estão cada vez mais fúteis. Elas estão cada vez mais obcecadas por estética, consumistas, valorizando coisas (e pessoas) superficiais e vazias, e seguindo modismos sem crítica nenhuma. Fico espantada de ver como a maioria delas está absolutamente igual: pintando o cabelo de loiro (quase sempre “estilo canetinha”, uma espécie de luzes sobre a qual discursei no meu texto chamado “A culpa é da Anastácia”), estão sempre de dieta, usando as mesmas roupas e com peito de plástico, é, quer dizer, silicone (ou sonhando em pôr).
A beleza é a maior virtude e a maior fonte de aceitação social para elas. Para alcançá-la, elas fazem qualquer coisa: passam fome para não engordar, gastam horas no centro de estética fazendo drenagem linfática ou algo do tipo, gastam rios de dinheiro no salão de beleza todo mês, saem de casa parecendo a Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo de tanta maquiagem, chegam em casa com o pé moído de ter andado de salto alto o dia todo (mas não cogitam em hipótese alguma deixar de usar alto, afinal, o que importa é estar bonita, por mais que você esteja morrendo de dor), chegam na faculdade às 19h e ainda vão retocar a maquiagem, passam horas na academia malhando pra ficar com o corpinho padronizado que a mídia impõe que as mulheres devem ter.
Muitas querem ter sua independência financeira, querem trabalhar, mas juntam o primeiro dinheiro que começam a ganhar profissionalmente pra pagar a cirurgia plástica com a qual sonham desde os 14 anos. Muitas querem se estabelecer profissionalmente, mas acham que o homem deve ter, no mínimo, a mesma condição financeira que elas. (“Deus o livre” estar com um cara que ganha menos do que elas.)
Muitas acreditam ser modernas e politicamente corretas, acreditando que o casal deve dividir a conta dos lugares que freqüentam, mas acham um absurdo ter que dividir o motel ou ter que dividir a conta no primeiro encontro. Outras tantas acham um absurdo ter que dividir a conta em qualquer circunstância: acham que o namorado tem que pagar tudo, ou pelo menos sonham com como seria delicioso ter um relacionamento assim (“Já que eu gastei tanto tempo e dinheiro no salão de beleza, o cara não faz mais do que obrigação por pagar o restaurante”, elas devem pensar). Muitas têm seu próprio carro (porque ganharam dos pais ou porque conquistaram com seu próprio dinheiro), mas acham um absurdo ter que deixar o cara em casa; acreditam piamente que o homem tem o dever de ser o motorista particular delas. Revezar as caronas - ou seja, às vezes o cara as pega e as deixa em casa para eles saírem, e, outras vezes, ela pega e deixa o cara em casa com o carro dela – é, para elas, coisa de homem folgado.
O namorado é sempre o motorista oficial, até quando eles estão usando o carro dela. Ela só dirige quando está com as amigas, e nesses momentos se divide entre prestar atenção no trânsito, passar rímel e cantar junto com a Ivete Sangalo seu mais novo sucesso das rádios.
Elas só freqüentam bares em que toca o estilo de música que está na moda no momento. Ouvem sertanejo, música eletrônica, Rihanna, etc. Enfim, qualquer coisa que esteja na moda. Em outras épocas, quando tais cantores e tais estilos musicais não tocavam nas rádios, elas ouviam o que estava na moda na época. Adoram sertanejo, mas é claro que na época em que isso era música de diarista elas nem passavam perto desse estilo. O que importa é ouvir o que toca na MTV e nas rádios; qualquer coisa diferente disso, nem chega ao restrito conhecimento musical delas.
Só se interessam por homens que fazem o estilo “galã de novela das 8”. Mas não basta ser o Ken (afinal, elas são a Barbie), tem que ter carro. E o carro deles deve ser, no mínimo, do mesmo padrão que o delas. Se eles tiverem um Audi A3, um Honda Civic (branco!) ou um Vectra Hatch, pronto, elas gamam. Se ela tem um Renault Sandero e você um Gol 1998, pode esquecer.
As mulheres fúteis não têm posicionamento crítico sobre nada. Discordar de algo é quase improvável. Na roda de amigas, todas com roupa de academia e tênis Nike Shox, elas só concordam com tudo e respondem a seguinte frase pra qualquer que tenha sido o comentário: “ai amigaaa, se vai te fazer feliz, faça mesmooo!”.
Minha estratégia para propiciar alguma mudança nesse quadro é fazer um apelo aos homens. É claro, entretanto, que existem homens igualmente fúteis e que gostam de mulheres assim. Para esses, meu apelo seria em vão. Dirijo-me, portanto, aos outros homens – e sei que há muitos deles - que não simpatizam com a futilidade de certas mulheres e sofrem, de alguma forma, com isso. A esses, sugiro: rejeitem o comportamento fútil de suas namoradas, irmãs, amigas! Exijam autenticidade por parte delas, vocês têm liberdade de dizer que acham ridícula aquela bota com salto de travesti (o salto parece um casco) que elas usam só porque está todo mundo usando. Vocês não precisam ficar horas ouvindo reclamações de quantos quilinhos a mais elas ganharam e de quais exercícios elas tiveram que fazer na academia para queimá-los. Vocês não precisam entrar no mar sozinhos só porque sua namorada não quer perder um minuto de exposição ao sol; mostre a ela o quanto é bom nadar e que não voltar bronzeada da praia não é pecado. Vocês não precisam ser os únicos a ter que gastar o carro e a gasolina; ela também pode te buscar e te deixar em casa. Vocês não devem pagar por tudo; se a guria não gostou que você sugeriu a divisão da conta, parta pra outra, ela está mais interessada em sua conta bancária do que em você. Não tire seu CD do Deep Purple pra ela ouvir Cláudia Leite. Não se privem de ir à pizzaria quando tem vontade e arrastem sua namorada junto, mostre a ela que é absurdo deixar de comer uma pizza deliciosa pra comer salada.
É possível alguém achar esse troço bonito?
Homens, façam sua parte!Ajudem essas mulheres a largar o mundo da futilidade! Antes que eu me convença que vocês gostam de ser tratados como otários.
Angústia ética. Foi nessa curta frase que consegui resumir todas as minhas preocupações, reflexões e críticas. "Angústia" porque é o estado de inquietude decorrente da vivência ou da percepção de algo que causa mal-estar. Ela é aparentemente perniciosa, mas é a árdua tarefa de aceitá-la e vivenciá-la sem medo que move as mudanças. "Ética" porque, para atender aos princípios ideais de conduta social, precisamos, necessariamente, vez ou outra, abdicar de alguns impulsos pessoais em prol do interesse coletivo. "Angústia ética" porque minha angústia abarca a ética, ou seja, ela é, frequentemente, resultado de um conflito ético. Esta angústia ética é inexorável, pois, como mencionei, é imprescindível renunciar a certos desejos pessoais a favor da ética. E a ética, por sua vez, causa e é causada pela angústia.