sábado, 24 de dezembro de 2011

Tenho medo de gurias alaranjadas

Se tem uma coisa bizarra nesse mundo, é o tal do bronzeamento artificial. Não entendo por que alguém paga para se bronzear artificialmente depositando seu corpo naquela câmara claustrofóbica e assumidamente cancerígena. Pô, isso é Brasil! Nosso país de grandeza continental é quase que inteiramente banhado pelo Oceano Atlântico. E não precisa nem ir à praia pra pegar um solzinho: passe o domingo no parque, se estenda no quintal de casa, sei lá. Não tem desculpa para pagar por isso.

A idéia de ficar trancada dentro de uma câmara de bronzeamento artificial
 me dá tanto medo quanto ser enterrada viva. 

Mas a questão principal não é essa. A questão principal é que a pele bronzeada é uma das maiores imposições estéticas da atualidade. É mais um padrão de beleza que a mídia reforça, por meio de diversos instrumentos, e quem não atende a essa característica é ridicularizado por estar fora dos padrões. Tendo isso em vista, o bronzeamento artificial é mais uma coisa estúpida que as mulheres fazem, mesmo correndo riscos de saúde por isso, para se sentirem adequadas, pertencidas e, claro, bonitas, já que a esmagadora maioria delas está totalmente imbecilizada e realmente acredita que a beleza é a maior fonte de realização de uma mulher. 

Porque o que importa é ser loira, bronzeada e ter peito de plástico.
       Apesar de haver diversos homens que chegam a ter mulheres muito brancas - especialmente as de cabelo escuro - como um verdadeiro fetiche, esse padrão estético, via de regra, é muito rechaçado. Eu, que nunca vi ninguém mais branco do que eu (no máximo tão branca quanto) sei bem o que é isso. Mas eu nunca iria condenar meu tempo, dinheiro e principalmente minha saúde para me adequar a um padrão de beleza.

       Essa decisão é audaciosa, porém. A todo momento recebo os indícios de que estou andando na contramão do que é aceito socialmente. Muitas vezes já ouvi mulheres (morenas normalíssimas, alías) dizendo estarem envergonhadas por estarem tão brancas. Ora, isto dito na minha frente deveria soar como o quê? Um elogio? Toda vez que volto da praia as pessoas me questionam, consternadíssimas, porque não voltei bronzeada. Bem, quando vou para a praia, o faço para aproveitar o mar e nadar. Se for só pra ficar pegando sol, não é mais prático ficar na laje de casa? E não vou nem entrar em detalhes de todas as 57 mil vezes que ouvi comentários na rua sobre minha perna branquela. É “super gostoso” ficar ouvindo críticas sobre sua aparência, de pessoas que você nunca viu na vida, no meio da rua, quando só o que você quer é poder andar com suas pernas descobertas sob um calor de 30 graus. Resumindo: é preciso ter muita atitude e auto-confiança para enfrentar um padrão de beleza e ser você mesma. Mas em tempos de individualidades esmagadas e pessoas padronizadas, ávidas para se sentirem aceitas socialmente e seguir irrefletidamente o que é imposto como normal ou bonito, é raro ver alguém que tenha essa coragem de ser verdadeiro consigo mesmo e respeitar seu biotipo, fenótipo e até etnia.

       É desolador ver como as mulheres –normalíssimas, repito - vivem cercadas de neuras e complexos, especialmente para ir à praia. Os homens, em contrapartida, raramente têm vergonha de seu corpo e, mesmo que o tenham, é em nível muito inferior ao das mulheres. Canso de ver homens cheios de cicatrizes, pernas feias, barrigas imensas, medonhas costas peludas que dispensam cobertores para dormir, dentre outros exemplos, e nem por isso ficam constrangidos. Pelo contrário. Usam roupas que evidenciam suas cicatrizes e formas fora do padrão, vão à praia sem angústia de mostrar o corpo.

Dispensa comentários, né?

Reparem como só homens e crianças entram no mar, enquanto todas as mulheres ficam estiradas na areia. Chega a ser ridículo. Algumas eventualmente entram no mar, mas é muito rapidamente, e apenas para se refrescar e voltar à areia com a sensação de estar queimando mais devido ao sal.

Quando estiver na praia, troque a imagem das mulheres 
                            por esta em sua mente. Dá na mesma.

Certo dia passou na televisão uma matéria sobre bronzeamento artificial (a favor, claro). A apresentadora disse: “quem não quer ficar bronzeada, com essa cor de saúde?” Cor de saúde? Gente, essas gurias praticamente expelem raios ultravioletas! Tem que passar protetor solar pra ficar perto delas! Elas ficam alaranjadas e essa cor não é humana! Como isso pode ser saudável?!

O que a televisão não faz para sustentar um padrão de beleza patético, hein? Não só incentiva uma ferramenta de bronzeamento que causa envelhecimento precoce e câncer de pele (esses "detalhes" nunca são devidamente enfocados nas reportagens), como o associa à esbanjamento de saúde!
Vera Fischer, uma das maiores representantes da gangue
das garotas alaranjadas.
Para a maioria das pessoas, essas mulheres abaixo são muito mais belas... 


Paris Hilton, Fergie e Christina Aguilera.

...do que essas.

Ao centro, Nathália Dill, e em sentido horário:
 Nicole Kidman, Julianne Morre, Liv Tyler e Mayana Moura.



Se você ainda quiser insistir que pra ser bonito tem que ser bronzeado, que é seu “gosto pessoal” e que isso não tem influência externa nenhuma, tudo bem. Mas por favor, não tente dizer que isso....

 
Anne Hathaway após sessão de bronzeamento artificial para o filme "Noivas em Guerra".



parece  mais saudável do que isso...Seria insano. 

Anne Hathaway sendo ela mesma.






domingo, 20 de novembro de 2011

Mulher não toca guitarra

 
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            Há pouco mais de 6 meses realizei um de meus grandes sonhos: comprar uma guitarra.  Finalmente, aos 25 anos e com independência financeira, pude começar a aprender o instrumento com o qual sonho desde os 10 anos de idade.  Apesar dos altos investimentos de dinheiro e tempo que este instrumento exige, a única coisa que me arrependo é de não ter feito isso antes.
                        Esses dias tive que ouvir de um cara a dúvida se eu estava aprendendo a tocar “direito” já que, nas próprias palavras dele, mulher não tem talento para guitarra. Disse que até podem existir algumas mulheres guitarristas razoavelmente boas, mas “fodas” como Steve Vai e afins, não. "Falta-lhes algo. Falta ´colhões´", resumiu.
                        O motivo, para ele, é que algumas habilidades são inerentes ao sexo masculino e feminino e, assim como os homens são indubitavelmente superiores às mulheres no que tange à força física, por exemplo, o seriam também na guitarra (assim como bateria e baixo, ainda defendeu) por motivos biológicos (Claaaro! Tudo no mundo se resume a fatores meramente biológicos e fatores histórico-culturais são totalmente irrelevantes, né gente?!). Ele legitima sua teoria a partir do fato de que conhece muitos bons guitarristas homens, mas nenhuma boa guitarrista mulher. Aponta sua posição como sendo uma conclusão natural do que percebeu de suas experiências pessoais e história da música. Nada de ser um conceito pré-determinado ou machismo, defende-se.

Mulher não leva jeito para guitarra porque os bons guitarristas sempre são homens

                        Ora, a primeira questão é: QUANTAS guitarristas mulheres existem? E quantos guitarristas homens? Não é meio óbvio que na amostra maior iremos encontrar mais facilmente o que estamos procurando justamente pelo fato da amostra ser maior? Em outras palavras: não é óbvio que, se existem 300 guitarristas homens para cada 5 guitarristas mulheres, os “bons” provavelmente estão na amostra maior, de homens? E olha que eu boiava nas aulas de análise probabilística.
            Os filmes mais premiados são sempre americanos e não búlgaros porque estes não sabem fazer filme ou porque a esmagadora maioria das grandes produções cinematográficas vem dos Estados Unidos? A maioria dos enfermeiros tem olhos castanhos porque pessoas de olhos castanhos se adéquam mais ao ofício da enfermagem, ou será que é porque quase todo mundo (aqui no Brasil) tem olhos castanhos e, conseqüentemente, estes serão maioria na profissão? Resumindo: Todo guitarrista bom é homem porque as mulheres não levam jeito, ou será que é porque...vejamos...elas nem tocam guitarra?!

Mulher não combina com guitarra

            Para analisar isso, é imprescindível discutir o contexto sócio-cultural que provoca o distanciamento das mulheres em relação ao rock ‘n’ roll. Desde pequenas nos ensinam a sermos meigas, resignadas, a ter limites e restrições, sermos doces e bonitas. Isso já bate de frente com a atitude rock ‘n’ roll, que sugere justamente o oposto: a subversão, o criticismo, a atitude. Nós aprendemos que devemos gastar nosso dinheiro com maquiagem, e não com tarraxas e cabos! Então como esperar que existam várias mulheres guitarristas excepcionais, se a maioria delas nem pensa em tocar esse instrumento?
            Temos ainda que, como a esmagadora maioria dos músicos roqueiros são homens, é difícil para as mulheres se identificarem com o estilo pois não se sentem representadas, não se sentem pertencidas. É um sentimento inconsciente de “isso não me diz respeito”. A identificação de gênero é fortíssima, por isso as mulheres – e vice-versa - sempre irão se identificar com coisas feitas por mulheres e para mulheres (pagode pode ser feito por homens, mas é especialmente para mulheres).  É a mesma coisa quando éramos crianças e assistíamos aos filmes da Xuxa e convidados especiais. Com quem as meninas se identificavam? Com a Xuxa ou com o Sérgio Malandro?!


Nossas experiências pessoais e a história da música comprovam que a mulher não leva jeito para tocar guitarra
           
            Ora, se isso é legítimo, também o é afirmar que os brancos são mais inteligentes que os negros porque nunca os vemos passarem em primeiro lugar nos vestibulares. Aliás, antes do sistema de cotas, mal os víamos passando nos vestibular, sejam em que colocação fosse! Mas ei, não é preconceito! Foi minha experiência pessoal que demonstrou isso!
            Você não iria se safar no tribunal com uma dessas, iria? E por quê? Porque dizer que os brancos são mais inteligentes que os negros em decorrência do fato de que aqueles sempre conquistam os primeiros lugares (ou qualquer lugar!) é desconsiderar todo o contexto histórico/político/cultural que criou esse cenário. Tal cenário, que é o que “a experiência pessoal” nos mostra, é a conseqüência de vários fatores, e não a causa.
            Ainda seguindo o mesmo raciocínio, também poderia dizer que os negros nunca tiveram grande relevância para o mundo, pois os avanços, criações e descobertas na história sempre foram feitos por brancos. Existiram alguns negros relevantes, mas a esmagadora maioria das pessoas que ficaram para a história foram brancos. Logo, a história está me dizendo que os brancos são melhores. É um fato! Não é preconceito! 
            Esta pessoa – um cara que, aliás, é mulato –, além de dizer que essa comparação é distorção de sua opinião (e não o é de forma alguma. É, no máximo, uma extensão, um deslocamento de sua própria teoria), ainda teve a cara de pau audácia de argumentar que o motivo pelo qual a quantidade de negros “fodas” da história é bem menor que a de brancos “fodas” seria porque os brancos são a maioria da população mundial (!!). Claro! O fato deles terem sido escravizados por séculos e terem adquirido direitos políticos - quem dirá os simbólicos!- há poucos anos é só mera coincidência, não é mesmo?!

Mulher não serve para guitarra, até que me provem o contrário

            A pessoa defendeu que até poderia mudar de opinião, desde que alguma mulher provasse que é boa. Ora, você não se torna menos preconceituoso por estar disposto que te provem o contrário do que você acredita. A necessidade de provar que se é bom – seja para os outros ou para você mesmo – já subentende a premissa de que você não é bom. Eu precisar provar que toco guitarra bem já implica dizer que mulher não toca guitarra bem só por ser mulher.

Mulher, negro, anão, [adicione aqui quem vai discriminar] não serve para [adicione aqui o que só os homens brancos fodas sabem fazer bem]. Inclua fatores biológicos para validar sua teoria.

            Nunca vi um gerente anão. Posso defender, então, que os anões não servem para ocupar cargos de liderança porque todos os gerentes que conheço não têm nanismo. Foi minha experiência pessoal que me mostrou isso. A história da humanidade me mostrou isso. Os anões nunca fizeram história. Logo, se um anão se candidatar à vaga de gerente em minha empresa, posso até contratá-lo, mas mediante a condição que ele (ou qualquer pessoa pertencente a qualquer tipo de minoria) prove que é bom. Isso não é correto ou justo, então por que deveria sê-lo quanto se trata de mulheres?

            Dizer que as mulheres não levam jeito para tocar guitarra (principalmente sob os argumentos de que 1) os bons guitarristas sempre são homens, 2) a história da música comprova isso, 3) nossas experiências de vida comprovam isso) é tão abjeto quanto dizer que os brancos são mais inteligentes que os negros  e que os “não-anões” são melhores que  os anões. É só usar os mesmos argumentos. O elo de semelhança encontra-se no fato de desconsiderar os meios que justificam o fim.

O olhar sociológico sob a diferença de gênero não anula as diferenças verdadeiramente biológicas

                        Existem diferenças biológicas entre homens e mulheres? Certamente que sim. Homens são mais fortes, mais resistentes fisicamente, etc. O olhar sociológico sob a diferença de gênero não anula as diferenças verdadeiramente biológicas. Mas a guitarra, além de não exigir força física ou nada que seja inerentemente superior nos homens, é um símbolo e, como tal, repleto de sentidos e acepções. E, como símbolo, não pode ter toda sua bagagem histórica invalidada.
Não sei se um dia tocarei tão bem quanto Steve Vai ou qualquer outro “macho foda”. Mas mesmo que eu nunca toque bem, eu quero que isso seja justificado não pelo fato de que sou mulher, mas pelo fato de que sou apenas humana. Só assim a igualdade simbólica da mulher – porque igualdade jurídica já temos - vai estar de fato alcançada. O mesmo vale para qualquer outra minoria.

domingo, 30 de outubro de 2011

Criança dançar na boca da garrafa, pode. Tocar guitarra, não.

Em agosto deste ano, em São José do Rio Preto-SP, um menino de 8 anos foi repreendido pela diretora de sua escola por ouvir heavy metal (leia aqui). Ele foi encaminhado à diretoria por estar batucando na carteira, fingindo que tocava bateria. Ao contar à diretora que seu sonho era tocar guitarra com o Iron Maiden, ela o desincentivou severamente, mostrando a ele imagens de capas dos discos da banda que, segundo ela, eram imagens associados ao demônio, satanismo e à morte. Segundo o menino, a diretora ainda disse que os roqueiros sacrificam animais, cortam cabeças e fazem pacto com o demônio. A diretora se defende, afirmando que quis despertar uma reflexão no menino. Segundo ela, este é seu trabalho, já que as imagens não têm mensagem positiva.

Não vou nem entrar no mérito da questão da generalização que se faz do rock, em que acreditam que é tudo a mesma coisa, sendo isso evidente até na forma como o chamam. Os desavisados jogam no mesmo “caldeirão” coisas extremamente diferentes: Rolling Stones, Iron Maiden, Dimmu Borgir, Guns n’ Roses, Limp Bizkit, Red Hot Chilli Peppers, etc. Para eles, é tudo a mesma coisa. É tudo “rock”. Mas o rock se desmembra em diversos estilos, e cada uma das bandas citadas acima pertence a um diferente. Uma de suas subdivisões, inclusive, é o metal que, por sua vez, também se destrinche em vários estilos, como heavy metal, heavy metal melódico, power metal, thrash metal, black metal, white metal, etc. Existe até o termo “metal barroco”, que se refere ao estilo interpretado por Yngwie Malmsteen. Mesmo assim, o metal, de forma geral, é sempre chamado de “heavy metal” pela grande mídia. Isto já é pelo menos um avanço, pois há não muito tempo ela o denominava ainda mais pobremente de “rock pauleira”.

O que quero dizer com tudo isso (e olha que eu disse que não iria entrar no mérito dessa questão) é que existem, sim, bandas que fazem apologia ao satanismo e afins. Mas isso é uma vertente bem específica do metal, mais precisamente do black e até death metal. Cada estilo tem suas particularidades, mas, via de regra, as letras das músicas falam sobre sociedade, subversão, histórias de civilizações, temas políticos, contos, mitos, relações amorosas (sim, metaleiro fala de amor). O próprio Iron Maiden, em torno do qual se criou a polêmica na escola, é um exemplo de banda cujas letras remetem, principalmente, a histórias e mitos. O oculto é, de fato, muito explorado por eles, mas de forma alguma se faz apologia ao satanismo ou algo do tipo.

Também não vou entrar no mérito da questão sobre a atitude da diretora de questionar as escolhas do menino. Na verdade, a ênfase que a mídia deu ao caso foi em relação à reprovável atitude autoritária da diretora, ferindo o livre arbítrio do aluno, julgando o que ele deveria ou não ouvir. Para mim, não foi esse o problema. Em tempos de visível perda de autoridade dos pais perante os filhos e da total desorientação destes em diversos assuntos, não me incomoda ver alguém tentar direcionar as opiniões e valores de um jovem; pelo contrário. O que me incomoda é o fato da diretora ter feito isso em relação aos pré-conceitos que tem em relação ao rock.

É impossível não perceber que o funk, axé e até alguma coisa do pagode, estilos musicais descaradamente apadrinhados pela grande mídia, exercem influência muito mais negativa sobre as pessoas, em especial as crianças. E é bem sabido que as escolas, sejam elas de qualquer nível sócio-econômico, incitam as atividades de dança desses estilos, aceitando inclusive as mais grotescas.

A questão é: por que questionar as atividades supostamente anticristãs de um aluno, e não fazer o mesmo ao ver meninas de 8 anos dançando na boquinha da garrafa? Como é possível acatar meninas que ainda levam lancheira da Moranguinho, mas ao mesmo tempo vão para a escola com calças apertadíssimas especialmente ajustadas para delinear seus corpinhos de manequim tamanho 16? Como se pode aceitar meninas que ainda nem menstruaram dançando funk e venerando mulheres-frutas? Como aceitar que meninas do jardim de infância deixem de brincar por causa do sapato de salto que usam? Como encarar com normalidade o fato de meninas de menos de 10 anos serem o público-alvo cada vez mais crescente de distúrbios alimentares e/ou já pensarem nas cirurgias estéticas que “precisam” fazer para se adequar ao padrão de mulher-objeto que elas recebem da mídia e das músicas grotescas que ouvem? Tudo isso é fortemente reforçado pelo brega-popularesco que é veiculado e reforçado pela grande mídia. E é muito assustador que pensem que seja o rock (mesmo o metal) o vilão.

A sexualização precoce é gritante e, embora os pais sejam os responsáveis pela educação de seus filhos, a escola tem o poder – e o dever – de intervir nessas questões. Por isso o que me chateia – e me preocupa- não é o fato de a diretora questionar as escolhas de um aluno, mas quais escolhas ela questiona e quais deixa de questionar.


Isso...

Iron Maiden

...é bem diferente disso...

Marduk, banda de Black Metal

Mas ainda é realmente pior do que isso?


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Olhem que "gracinha" essas crianças super sexualizadas (e incentivadas pela mãe, que faz até closes nas partes íntimas das meninas. Tenha fôlego para assistir o 2:44)  dançando axé. Os comentários dos pedófilos na própria página do youtube (leia aqui) são super fofos também, nem precisa ser fluente em inglês e espanhol para entender.

Mas hei, pais!Deixem seus filhos longe do Iron Maiden!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sou só eu, ou eles são parecidos mesmo?

Eu tenho mania de achar todo mundo parecido com todo mundo. Acho que é uma consequência de ser tão observadora, aí eu vejo semelhanças mesmo onde aparentemente não há. Resolvi, então, fazer uma coletânea dos roqueiros e seus sósias. 

Existem outros, mas só coloquei aqui as semelhanças que nunca vi comentarem em lugar algum, embora tenha sido muito tentador colocar as fotos da dupla Bret Michaels e Goldie Hawn (mas não coloquei porque não fui eu quem percebeu a semelhança)!


O Puyol, jogador da seleção espanhola, não é a cara do Gary Moore?





A Fernanda Lima parece o Sebastian Bach. Ou é o Sebastian Bach que parece a Fernanda Lima?




André Matos é o Steve Perry brasileiro.


Quando assisti ao clipe "We are the World" de 1985, vi o "André Matos" ali no fundo, cantando no coro. Levou alguns segundos para cair a ficha de que não poderia ser o André Matos, já que naquela época ele ainda estava na 8a série. Foi quando descobri que ele tinha um sósia, o Steve Perry, do Journey!




O Kevin Bacon sempre teve um "que" de Jon Bon Jovi.





A Suécia não fica perto da África do Sul, mas bem que Joey Tempest e a atriz Charlize Theron poderiam ser irmãos.




Jason Patrick em versão vampira de Kip Winger.


Jason Patrick foi o protagonista do filme "Garotos Perdidos" - ah, essa nostalgia da infância anos 80/90 e a lembrança dos filmes legais que passavam na Sessão da Tarde! - , e era muito parecido com o Kip Winger, vocalista do Winger, na época.



Val Kilmer e Kip Winger nos anos 2000.



Hoje, alguns anos e quilos a mais, o Kip Winger parece o Val Kilmer!



Roland Orzabal versão stand-up comedy.




Roland Orzabal, vocalista do Tears for Fears, parecia o Jerry Seinfeld. Tá certo, só nas primeiras temporadas do seriado, época em que ele também era adepto dos mullets. Aliás, quem não era?



Eric Martins, do Mr Big, e Fernanda Takai

Eric Martin está na minha lista das 10 maiores vozes que este mundo já conheceu. Convenhamos que ele não era bonito nem quando era cabeludo, mas cortar o cabelo e ficar igual a Fernanda Takai só piorou as coisas!




Owen Wilson X Richie Sambora


Podem achar que não, mas pra mim o Owen Wilson sempre pareceu o irmão loiro de olho azul do Richie Sambora!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

"Insensato Coração": uma luz no fim do túnel?

       Antes de mais nada eu gostaria de adiantar que não, eu não gosto e não assisto novelas (inclusive já escrevi um texto sobre elas). Sei que apesar disso muitos irão pensar que estou mentindo, principalmente quando eu disser que vi alguns momentos de “Insensato Coração”, o que me permitirá tecer comentários sobre a trama. Apesar disso, eu não a acompanho pois tenho nojo de novelas. É que quando eu realmente reprovo alguma coisa, passo a ter nojo.

       É como comer carne, por exemplo (isso rende um post específico e caloroso, aliás). Parei de comer há mais de 5 anos e hoje sinto nojo de carne. Embora haja muitos motivos para defender que devemos ser vegetarianos (e explanarei sobre todos quando o post sobre isso sair), para mim um bastou: o sofrimento dos animais. É impossível assistir “Terráqueos” e não querer virar vegetariano – nem que seja por uma semana. A questão é: o objetivo de não comer carne (não abater os animais) está tão interiorizado em mim que eu deixo de comer não porque eu não possa, mas porque eu não consigo. Mesmo eu podendo comer carne (“teoricamente” eu posso, não posso? ) eu não quero porque me dá nojo, já que associei ao sofrimento animal. Às vezes, ao contrário, deixamos de fazer algo que não é lícito –seja por que motivo for – apenas porque não podemos (restrição por alguma norma ou lei), mas no fundo desejamos fazê-lo. Por exemplo: eu só não saio por aí com duas agulhas furando o peito de plástico das mulheres fúteis porque eu seria presa (Sim, por isso). Quando realmente interiorizamos que não devemos fazer determinada coisa porque não é legal, entretanto, deixamos de fazer mesmo tendo a possibilidade e a permissão.

       A questão de assistir novela funciona sob a mesma lógica. Por mais que eu pudesse assistir, eu não assistiria. Não é que eu não possa, é que eu não consigo. Eu não consigo assistir a nada disso sem ficar extremamente irritada e enraivecida diante dos valores absurdos que são difundidos. Confesso até que, uma vez, ano passado ou talvez retrasado, tentei dar uma chance e assisti a alguns minutos de uma novela que não sei o nome. É claro que meu esforço foi em vão: eu peguei justamente uma cena em que a personagem da Cristiane Torloni espancava (!) a amante de seu marido, chegou em casa contando a aventura (!!) para sua empregada, contente que “agora ela não mais iria se engraçar pra cima do marido dela”, sem fazer absolutamente nada com o próprio marido (!!!), como se a culpa fosse só da amante e não do cara, marido dela (!!!!), que também fazia parte do caso (!!!!!).

      Não, não adianta tentar me convencer que eu sentei na frente da televisão na hora errada e no dia errado. Eu sei que as histórias sempre giram em torno desses mesmos valores porcos: os caras são sempre “fodões” bem sucedidos que comem todas (e as mulheres que fazem o mesmo são “vadias”); as mulheres são constantemente traídas, sabem disso e aceitam na maior submissão; as ricas (ou melhor, nunca existem mulheres ricas por si só. As mulheres sempre ficaram ricas porque casaram com homens ricos, o que é bem diferente) são sempre dondocas que vivem no shopping com as amigas igualmente dondocas; apenas as pobres trabalham, afinal, pras pessoas machistas (mulheres inclusas), mulher só trabalha quando “precisa” (leia-se “quando não casou com homem rico”); etc. Até podem ter mulheres que trabalham e são bem sucedidas, mas notem que é sempre numa profissão considerada “feminina”, e quase sempre ligada à moda. Isso sem falar nas enormes mansões, nos atores que fisicamente em nada se assemelham ao povo brasileiro, nas pessoas que são riquíssimas sem se ralar no trabalho, que mais nos faz pensar que estamos vivendo na Suécia.



       Por mais que eu tente viver no meu mundinho paralelo, alheio à toda podridão do mundo lá fora, algumas coisas acabam chegando até mim. Por exemplo, eu vou ao supermercado, então inevitavelmente me deparo com as revistas da estante do caixa rápido (“os segredos do corpão de [nome da atriz do momento]!”, “o chá que faz perder barriga!”, “o que rolou na ilha de Caras!”,”o que vai acontecer na sua novela preferida!”); eu ouço conversas na rua e nos estabelecimentos (“quem você quer que ganhe o BBB?”, etc); freqüento consultórios médicos; divido casa com mais gente e vou na casa de outras pessoas. Enfim, a televisão e as revistas estão em toda parte e por isso sempre acabo sabendo mesmo o que não quero.

       Tendo isso em vista, sei de muita coisa que aconteceu em "Insensato Coração" e já presenciei cenas que me chamaram atenção justamente por romper com os padrões até então vistos. Por exemplo: notei que nessa novela o estereótipo de mulher fútil é, por vezes, ridicularizado. Bem no começo da novela, o personagem de Antônio Fagundes disse a sua esposa que queria se separar pois "não a respeitava e não a admirava porque ela era fútil, não fazia nada na vida e quando engravidou só se preocupava com como aquilo iria estragar seu corpo".



       A personagem da Débora Secco, apesar de retratar um tipo de mulher que se dá bem no Brasil, é ridicularizada e criticada até por seus familiares e amigos. Seus recorrentes ensaios nus, além disso, são sempre retratados na trama como um ato de desespero de uma pessoa sem talento. Ela não é levada a sério por ninguém, e sua personalidade é bem marcada pelos traços da burrice, vulgaridade e interesse financeiro, o que é bem diferente da forma como a mídia anuncia as “Natalies” da vida real: muitas ex-BBB’s são tratadas como “mocinhas”, verdadeiras “namoradinhas do Brasil” (posto que Regina Duarte ocupara nos anos 70). O próprio intuito da criação deste personagem, ao meu ver, é justamente escarnecer este papel social bizarro. Ademais, o próprio personagem de Herson Capri a humilhou, certa vez, dizendo que “era preciso muito mais que um par de peito de silicone para fazer uma mulher de verdade”. Ora, quando que isso já foi dito alguma vez na televisão? A mensagem que sempre passam é justamente a contrária, de que basta ter peito de plástico para ser mulher!

A Natalie fictícia não recebe o carinho e o respeito que as
Natalies da vida real, apadrinhadas da Rede Globo, recebem.


       Uma das personagens mais ricas da trama é uma mulher (a personagem de Nathália Timberg), embora eu tenha um leve pressentimento de que ela herdou tudo de um marido, o que acabaria com minha alegria (alguém saberia confirmar isso?). O personagem de Gabriel Braga Nunes, inclusive, planejava casar com a personagem da Paola Oliveira apenas por dinheiro. Ora, quando que um personagem masculino seria retratado dessa forma? Por mais que os homens sejam ambiciosos, sempre desejam se sentir mais poderosos que a mulher, o que inviabiliza se casar com uma mulher rica por interesse. A personagem de Bruna Linzmeyer, além disso, é uma jovem determinada a encontrar prazer sexualmente, mesmo que isso signifique andar na contramão do que espera de uma “boa moça”.


       Não posso me animar demais porque muita mesmice ainda é repetida. Mas por alguns fragmentos que vi, acho que essa é a novela "menos pior" no que diz respeito à imagem da mulher. Não costumo ser otimista, principalmente no que se refere à televisão aberta brasileira, mas estou sentindo cheiro de mudança. Dessa vez, para melhor.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A mentira da liberação sexual da mulher



Todos já perceberam que as mudanças sociais nas relações de gênero - impulsionadas graças ao feminismo, embora muitas pessoas (pior, mulheres!) cismem em torcer o nariz para ele - propiciaram uma maior liberação sexual da mulher. Felizmente, hoje escolhemos com quem e quando queremos nos casar, o ideal de virgindade até o casamento tende a minguar ligeiramente, podemos dormir na casa dos namorados ou recebê-los para dormir em nossa casa (digo dormir no sentido literal mesmo), nunca se deu tanta atenção ao desejo sexual feminino (inúmeras matérias em revistas tratam do que a mulher deseja, o que lhe dá prazer, incitam sobre o conhecimento de seu próprio corpo, etc), dentre outras conquistas.

Entretanto, essas mudanças positivas ainda se chocam com certas situações e valores ainda desorientados no que se refere à sexualidade feminina. Inúmeros são os exemplos; discutirei alguns deles.

A esmagadora maioria das mulheres continua receosa de tomar a iniciativa quando se interessa por um homem. Cansei de ver, seja em bares ou em outros locais, mulheres que se interessaram por determinado homem, mas de forma alguma cogitam ir até ele e puxar conversa. Ficam esperando que o homem em questão se aproxime e tome a iniciativa. O pior é que tem umas que sequer encaram o cara, não olham para ele, não “mandam sinais”, não demonstram interesse algum. Ou seja, não tomam a iniciativa e ainda esperam que o cara leia pensamentos para descobrir que uma mulher quase invisível no meio da multidão quer conhecê-lo.

Outro exemplo relevante é que muitas mulheres não sabem realmente o que é sentir tesão por um homem (embora acreditem que saibam). Elas namoram qualquer “bocó”. Basicamente, para muitas, basta ser homem, ter todos os dentes na boca (algumas mulheres não exigem nem isso, já que existe homem desdentado comprometido) e ser “legalzinho”. Já ouvi diversas vezes o seguinte comentário de mulheres que ficaram ou namoraram com um cara por quem não se sentiam realmente atraídas: “Ele é feio, não faz muito meu tipo, mas é muito legal”. Ora, um cara “feio, mas muito legal” é um amigo, não um namorado.

É claro que não estou defendendo que as mulheres devam namorar apenas os “Gianechinnis”; pelo contrário. Eu mesma sou uma mulher que não sente atração nenhuma (nenhuma mesmo) por esses caras estilo galã de novela das 8. Rodrigo Santoro, Bruno Gagliasso, Brad Pitt, [adicione aqui o nome de qualquer outro galã], não poderiam me ser mais desinteressantes. O que defendo é que as mulheres devem respeitar seus gostos e desejos e ficar com aqueles caras que são sexualmente atraentes para elas, mesmo que isso signifique ser pouco ou nada atraente para as demais pessoas (como é meu caso, por exemplo. Todas as mulheres que conheço acham tosquíssimos os caras que eu curto, tipo esse exemplo aqui. Fazer o quê? Eu jamais conseguiria achar atraente um desses caras com “cabelo de lego”). A questão é: por mais que o conceito de homem atraente para cada mulher varie, muitas delas acabam se envolvendo com homens não atraentes para elas mesmas, e sempre por um de dois motivos possíveis – note que elas podem até sonhar com um moreno de olhos verdes e barriga tanquinho, mas se aparecer qualquer Zé Ruela, elas topam.



No meu conceito "torto" de beleza, comparar o sem sal Jensen Ackles
 com o perfeito Andi Deris é sacanagem.
Sim, nesta ordem mesmo.

O primeiro é porque não consideram devidamente sua sexualidade. Por serem mulheres, não se sentem no direito de reivindicar por ela, já que paira sobre suas mentes, mesmo que inconscientemente, o conceito de que apenas o homem tem direito a usufruir plenamente de sua sexualidade. Muitas, portanto, nem ao menos sabem o que é sentir uma forte atração por um homem. Logo, pouco importa namorar um cara desinteressante sexualmente. Afinal, ele basicamente não passa de um amigo. E ressalvo que muitas dessas mulheres sequer têm a consciência de que o que sentem por seus namorados não é atração sexual, mas apenas amizade, carinho, afeição, ou qualquer outro sentimento que elas confundem com interesse sexual, já que não estão devidamente familiarizadas com a própria sexualidade.

Já soube, e não raras vezes, de mulheres que, conformadas, contaram a seus namorados que não conseguem atingir o orgasmo, já que, segundo elas mesmas, “é normal uma mulher não conseguir isso”. Da mesma forma, também vejo mulheres prezando por sua virgindade, mas nem de longe esperam o mesmo do namorado. Elas aceitam com a maior naturalidade, inclusive, homens que se relacionaram (ou, nos casos mais escrotos, que ainda se relacionam) com prostitutas. A reputação sexual delas é resguardada a todo custo (leia-se: “quanto menos parceiros, melhor”), enquanto a do homem responde à lógica inversa.

O segundo motivo é que muitas mulheres não suportam ficar sozinhas. As razões podem ser diversas e pessoais (histórico de pais separados, falta de figura paterna na infância, etc), mas é inegável que este fato desvenda forte relação com o que se espera das mulheres: não importa se você comprou um apartamento, foi promovida no trabalho ou comprou um carro novo sozinha; seu sucesso é sempre medido pelo seu estado civil. Para a sociedade, uma mulher solteira, que não “conseguiu” casar (pior ainda se não teve filhos) não atingiu sua completude. Esse fantasma assombra as meninas desde a infância, e desde muito novas somos impelidas a acreditar que o dia do casamento será o dia mais feliz de nossas vidas (repare que isso já supõe como fato certo que haverá o dia do casamento). Sendo assim, é muito freqüente ver mulheres que saem de longos relacionamentos e logo adentram em novos, com um intervalo de tempo extremamente curto entre ambos.

E nem preciso lembrar que os namorados não são exatamente príncipes encantados (já que o que importa é não estar sozinha), afinal, não está chovendo homem bonito e interessante pra gente repetidamente sair de um relacionamento e entrar em outro semanas depois. Minto; para as mulheres cuja exigência é apenas que o cara tenha um pênis e todos os dentes na boca, está sim.

Outro ponto que exemplifica como a liberação sexual das mulheres é arbitrária é em relação ao ato de posar nua, tão popular em nossa cultura (machista). Existe o argumento, extremamente pernicioso, de que esta atitude é uma das maiores expressões da suposta liberação sexual feminina. Hoje, faz parte da “carreira” de qualquer atriz/cantora/apresentadora/odiaboaquatro estampar as capas de revistas masculinas que servirão para os marmanjos ficarem beijando azulejo no banheiro. É como se fosse uma etapa natural da vida artística (perdoem-me os verdadeiros atores, mas fui a obrigada a incluir ex-reality shows na categoria de artistas).

Chegou-se ao ponto em que tudo isso se tornou tão normal que, para “variar” esse procedimento tão previsível, algumas (sub)celebridades realizaram ensaios sensuais com outra mulher (não sei os nomes, e nem quero pesquisar, mas muitos devem saber de quem estou falando. Vi isso, meses atrás, na página inicial do hotmail), ao mesmo tempo em que ressaltavam orgulhosamente sua heterossexualidade. Isto é, chegaram ao ponto de se envolver sexualmente (ou sensualmente, para quem preferir) e publicamente com outra mulher, mesmo sendo convictamente heterossexuais, pura e simplesmente para atender a um fetiche dos homens. Ora, de quem é essa revolução? E para quem?

A sexualidade feminina que se vende não poderia ser mais estereotipada, falsa, mercantilizada. A imagem de mulher que é vendida não é a da mulher real. É, além disso, um estereótipo de mulher-objeto, submissa, pronta para satisfazer o macho (no sentido mais grotescamente animal mesmo), disposta a servir seu corpo como única qualidade que tem, e apresentá-lo unicamente da forma que convir ao agrado do macho (não, bonecas infláveis. Vocês não põem peito de plástico por vocês. O que é melhor para vocês é serem naturais. Ou é super confortável ter dois bolsões de látex debaixo da pele? O pós-operatório, então...uma delícia, né amiga?!)

As mulheres das novas gerações estão fazendo mais sexo e cada vez mais cedo, é verdade. Mas sob que condições? Envergonhadas dos seios menores que das famosas, queixando-se das celulites, embaraçadas para experimentar determinadas posições pois estas evidenciam suas gordurinhas.

Que tipo de revolução sexual é essa? Mudou muita coisa poder agora fazer sexo, mas não fazê-lo devidamente por ter vergonha de seu corpo? Mudou muita coisa a mulher conquistar o direito de tomar a iniciativa num bar (e sei que muitos homens desejam isso), mas não fazê-lo por não se sentirem seguras para tal? Houve grande mudança em muitas conquistarem carreiras bem-sucedidas, se ainda assim apresentam uma carência afetiva gritante e não conseguem ficar poucos meses sem um companheiro?

Estimo imensamente nossas conquistas até agora. Mas também acredito que, principalmente no quesito da sexualidade, ainda temos muitos passos pela frente.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

Falta amor...e desacordo também.



Muito se fala que a vida em sociedade está penosa devido ao individualismo das pessoas, a falta de respeito, o descaso para com os outros. Falta, enfim, amor. Em contrapartida, também nos falta o seu oposto: o desacordo. 

O que defendo como desacordo, vale ressaltar, não é o mesmo que discórdia ou desavença, mas a contestação, o debate. Em textos anteriores eu venho discorrendo sobre a incapacidade das pessoas em serem críticas, transgressoras, autênticas, seja em que contexto for.
             Existe uma névoa de “bundamolismo” assolando as pessoas na mesmice, nos modismos, na concordância forçada para não se indispor com ninguém. Isso é bem característico de nossa cultura. As pessoas não foram ensinadas a debater. Quando eventualmente insurge um debate, a maioria não sabe como se portar. Tendo isso em vista, muitos pensam que debater é brigar. Quando se entra em alguma discussão, ou surgem aqueles que tentam “jogar panos quentes” em cima, ou aqueles que levem o debate para o lado pessoal. Daí certamente sairão brigas.

Mesmo os que, eventualmente, têm a coragem de criticar alguma coisa, logo ao final da frase complementam: “nada contra quem gosta....” ,ou “nada contra quem faz...”. Na página inicial do hotmail, dia desses, apareceu uma notícia (notícia!) que uma atriz global havia dito que se orgulhava de não ter feito nenhuma plástica, que achava desnecessário, e que os homens gostam de mulheres naturais. Mas complementou dizendo que “é claaaaro que não tinha nada contra quem faz”. Essa é uma ótima forma de dar sua opinião mas, ao mesmo tempo, tentar ser o mais imparcial possível para não suscitar a antipatia das pessoas que se encaixam de alguma forma no que foi dito. É uma maneira de sair pela tangente, de se proteger, de dizer algo e praticamente desdizê-lo logo em seguida. 

           Em plena era do Twitter, diversas vezes já abri a página de notícias (de novo, notícias!) e lá constava: “Fulana desabafa no Twitter e causa polêmica”, “Fulano diz o que pensa sobre determinado assunto e causa grande repercussão”, dentre outros. Ok, alguns comentários são realmente inadequados e merecem repúdio, que o diga Mayara Petruso, por exemplo. Mas a maioria das polêmicas gira em torno de opiniões inofensivas que não deveriam provocar a fúria dos internautas. Mas causa. Causa porque expressar qualquer tipo de opinião – que não seja a opinião da massa, claro – causa retaliação. 

Grande exemplo foi o caso do Sylvester Stallone, que causou polêmica em 2010 ao dizer que “Você pode explodir o país inteiro e eles vão dizer ‘obrigado, e aqui está um macaco para você levar de volta para casa’”, sarcasticamente descrevendo a postura dos brasileiros em relação às filmagens de seu filme no Brasil. Sinceramente, não vi problema algum nesse comentário. Afinal, ele só retratou como as pessoas aqui são humildes e ficaram felizes (para não dizer bobas) porque um grande filme foi filmado aqui. Aliás, todo mundo sabe que brasileiro paga pau pra gringo, principalmente se o gringo for ator famoso. Se o povo paga pau pra ator da “Malhação”, quem dirá pra ator de Hollywood!!!

Eu, particularmente, acho extremamente irritante conversar com pessoas que tentam jogar panos quentes nos momentos em que você está ávido por um diálogo mais intenso. Essas pessoas, via de regra, são aquelas que tendem a levar tudo na brincadeira, não sabem conversar sério sobre nada e fogem das situações em que a conversa se envereda para um nível mais profundo. E como há pessoas assim! 

Que se proliferem aqueles que nos desafiam intelectualmente, que incitam debates e novas idéias!Que se abra o espaço para darmos opinião sem precisarmos controlar nossas palavras como se estivéssemos pisando em ovos! Que possamos discutir sem levar para o lado pessoal! Que venha o desacordo, enfim!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Assuntos mais procurados pelos brasileiros


Em 18/03/2011, o Yahoo! publicou a lista de assuntos mais procurados do dia (clique na imagem para ampliá-la), na ordem de interesse dos internautas. O resultado é vergonhoso, porém não muito surpreendente: Larissa Riquelme, Exaltasamba e Big Bosta Brasil têm mais importância do que o terremoto no Japão.

Shame on you.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

E o mundo perdeu mais um...



Domingo, 06/02/2011, foi o dia em que perdemos mais um grande ícone da música. O Gary Moore, um dos maiores guitarristas de blues que esse mundo já conheceu, morreu em um quarto de hotel na Espanha. As causas da morte ainda são desconhecidas.

Parece ironia, mas meu último post, em que falo sobre minha jornada para ver o show do Europe, foi concluído com a idéia de que eu nunca mais iria para São Paulo para ver um show, exceto se fosse do Gary Moore. Afinal, em minhas próprias palavras, era “Deus no Céu e Gary Moore na Terra”. É muito triste pensar que nunca terei a oportunidade de vê-lo ao vivo, muito menos de conversar com ele (se é que eu poderia ter feito isso um dia).

No texto “A decadência da música”, eu também comentei que os ídolos do rock estão morrendo, e que mais angustiante do que isso é o fato de ninguém os estar substituindo. Vale lembrar que Dio também morreu há menos de 1 ano, em maio de 2010. Outra grande perda de alguém insubstituível. É claro que nem preciso comentar a injustiça desses últimos acontecimentos. Gary Moore e Dio morrem, mas Compadre Washington e outras “trasheiras” continuam vivos.

Devo muito ao Gary Moore. Ele me influenciou muito na música. Foi ele quem me fez entrar (e não sair mais) no blues, que me mostrou uma nova lógica de ouvir e fazer música, que me ensinou a fusão (maravilhosa) de blues e rock (seu inconfundível blues rock), quem me fez ter certeza que era guitarra o instrumento que eu queria tocar, e que me ajudou a amadurecer minha identidade musical. Se eu adentrasse profissionalmente no mundo da música, certamente iria fazer algo ao estilo Gary Moore.

Isso ia ser surpresa, mas muito em breve comprarei uma guitarra. Ainda estou estudando a melhor opção (custo X benefício, timbre, marca, modelo), mas esse é um sonho que sempre tive e agora finalmente vou poder realizar. Mesmo me sentindo um pouco desamparada por iniciar os estudos logo após minha maior referência morrer, me sentirei eternamente como a pupila de Gary Moore, e certamente sempre manterei presente na guitarra a subjetividade que aprendi com ele. Desde que comecei a cogitar estudar guitarra, eu pensava: “mesmo que eu veja que não levo jeito, quero pelo menos conseguir tocar ‘The Loner’ ”. E esse será sempre meu ideal.

Chorei ao saber da notícia. Ele vai fazer muita falta. Agora é “Gary Moore no Céu e na Terra”. Claro, nos corações dos bluseiros que aqui permanecem.