É muito fácil irritar um homem: domine o controle remoto da televisão, obrigue-o a se alimentar apenas de arroz integral e hortaliças, impeça-o de assistir à final do Brasileirão. Mas nada é tão eficaz quanto contemplar imagens de homens sensuais.
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Homens saindo deste blog em 3,2,1... |
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Um Gianecchini incomoda muita gente.
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Muitos homens escondem que curtem a banda Skid Row porque o vocalista Sebastian Bach era considerado um símbolo sexual. |
Nenhum homem tolera brincadeiras como essa em sua página inicial do facebook.
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Os homens demonstram extremo desconforto quando algum instrumento de comunicação, por alguma razão, coloca o desejo feminino em evidência. Propagandas de cueca, galãs de novela, cantores considerados símbolos sexuais os embaraçam e irritam sobremaneira.
É assim que a banda toca. Às avessas.
As imagens acima incomodam os homens. Em outras palavras, eles se sentem desconfortáveis quando é o desejo feminino que está em pauta. Mas a questão é: é desta forma que a sociedade se orienta, porém ao contrário. É sempre o desejo masculino que está em evidência. Deparar-se com fotos como as acima, porém ilustrando a beleza feminina, faz parte do dia-a-dia das mulheres.
As mulheres são obrigadas a conviver com a exploração de sua imagem, cuja finalidade é tão somente satisfazer os desejos sexuais masculinos, nas mais diversas formas de expressão cultural. Capas de revistas, aberturas ou o próprio conteúdo dos programas de televisão, propagandas turísticas, calendários, etc. Pense no que quiser: quase tudo é, de alguma forma, orientado ao desejo masculino. Quase tudo é feito pelos homens, para os homens.
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Comerciais de cerveja são descaradamente direcionados aos desejos sexuais dos homens, independente do fato de as mulheres também consumirem o produto.
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Até as aberturas de alguns programas se preocupam em atender aos desejos masculinos.
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Alguém já viu alguma matéria sobre os destinos turísticos com os homens mais bonitos? É claro que não. Isso interessaria às mulheres e o que elas desejam nunca está em pauta. O que importa, e sobre isso há várias matérias, é descobrir os locais onde as mulheres são bonitas. Porque, claro, o que importa é o que é bom para os homens, sempre.
Desconheço o homem que permita que sua esposa ou namorada visite sites de fotos sensuais masculinas, ou que não a interrompa por contemplar imagens de homens belíssimos sem camisa. Em contrapartida, os homens sentem-se no direito natural, quase divino, de se reunir com os amigos para jogar truco usando baralho com fotos de mulheres nuas; assistir a programas chulos que camuflam sua pornografia barata como sendo “humor” (Pânico na TV, Zorra Total e afins); assinar (!) Playboy, sem a menor angústia. “Eu gosto disso e ela tem que aceitar”: não é assim que a maioria deles pensa?
Mesmo as revistas de nu masculino são feitas para homens (gays). Nem nestes casos a mulher é atendida. Ela não é o público-alvo, e é evidente que o desejo feminino não é o foco da revista. Seu desejo sexual simplesmente não interessa à indústria de entretenimento.
Muitos defendem –usando um pueril reducionismo biológico - que revistas do gênero não são feitas especialmente às mulheres pois elas, naturalmente, não se estimulam por instrumentos meramente visuais. Por que é tão difícil cogitar a hipótese de que isso poderia ser apenas mais uma construção social, já que esse estímulo nem sequer é oferecido? Como afirmar com tanta convicção que a demanda feminina por isso é inexistente ou é desprezavelmente pífia, se o produto ainda nem existe?
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Mais uma vez, isso é destinado aos homens.
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É evidente que não pretendo que os homens passem, juntamente com as mulheres, a serem reduzidos a um mero objeto sexual. Tampouco planejo que tal redução passe a ser aplicada apenas a eles, e não mais às mulheres. Não defendo que a solução seja trocar o sujeito da exploração midiática no que concerne à sexualidade. É plenamente possível contemplar a beleza e a sensualidade sem cair num exagerado reducionismo sexual. Ademais, a questão primordial é que o direito e as opções para o exercício da sexualidade são desiguais.
Aos poucos elas começam a serem ouvidas.
Muitos ainda podem alegar que já há, sim, razoável ênfase na vaidade masculina. Sendo assim, os homens estariam começando a se preocupar com o desejo da mulher e fazer sacrifícios – em sua aparência e comportamento - para atendê-lo.
É um fenômeno crescente, de fato. Contudo, são apenas gotas desorientadamente espalhadas em um imenso oceano; um oceano orientado a atender tão somente ao desejo masculino. Tal é a razão para os homens ficarem tão alvoroçados quando um homem sensual estáem evidência. Eles estão (mal) acostumados demais a ter a sociedade sempre mantendo seus desejos em foco.
É um fenômeno crescente, de fato. Contudo, são apenas gotas desorientadamente espalhadas em um imenso oceano; um oceano orientado a atender tão somente ao desejo masculino. Tal é a razão para os homens ficarem tão alvoroçados quando um homem sensual está